Laos e o platô de Bolaven

Quando meu marido falou que tinha de ir a Laos a serviço, nāo pensei duas vezes. Vamos todos juntos ! Mesmo que a viagem seja só de 2 dias achei interessante irmos porque seria de carro. Teriamos a chance de passar por lugares que de avião jamais passariamos e as crianças ficariam a vontade.

Seria minha primeira visita a Laos embora sempre tivesse vontade de ir, desde os tempos de mochileira. Até então o único nome de cidade que eu sabia era a capital Vientiene. Desta vez nossa viagem foi para o sul, a 700 km da capital. Uma pequena cidade chamada PAKXE na base do platô de Bolaven.

Nossa viagem de carro começou em Khon Kaen, passando por Mukdahan onde pernoitamos num hotel da cidade, ambos no lado Tailandes.

O rio Mekong marca maior parte da fronteira entre Tailandia e Laos mas ao sul de Laos, o Mekong fica completamente situado no lado de Laos.

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Adeus “trapinho”

Um pouco antes de completar 2 anos o Tico se apegou ao “security blanket”. Não que ele quisesse, mas eu o “forcei” a ter um para ver se reduzia o desejo dele de chupar o dedo. Nada adiantou. Talvez até tenha contribuído.

Geralmente esse “blanket” é um cobertor ou uma fralda, um pano que a criança usa quando está com sono, por exemplo. Eu tentei a fralda e não adiantou. O que ficou mesmo foi a minha canga de praia que eu usava as vezes para cobri-lo durantes as siestas. O problema é que ao contrário da fralda, essa canga tinha 1m de comprimento e ficava sempre “sobrando”. Tanto que ate o Teco se aproveitava de vez em quando.

O pano da canga era fininha e com o tempo foi ficando ainda mais fina até ficar transparente. Ate que um dia começou a rasgar. Partiu-se em 2 pedaços e o Tico chorou. Mas de um lado foi bom porque assim tinhamos 2 panos.

“- Olha só que maravilha, em vez de 1 agora voce tem 2!”

Consolado, ele até gostou e passou a carregar os 2 juntos. Às vezes um escapava para ser lavado, coisa que raramente acontecia antes (verdade!).

E o pano foi nas nossas viagens, Japão e EUA. Na época até tentei arrumar um cachorrinho de pelúcia para substituir o tal pano. O cachorrinho foi junto mas o pano também acabou indo…

Partido em dois, depois foi fácil duplicá-lo. Assim se foi, 3,4,,, até que viraram 5! Mas na época em que quinto pedaço apareceu os dois primeiros ja tinham perdido seu endereço. Lembro que quando fomos ao Japão eram 3. Levamos 2 e 1 tinha ficado em casa. Quando voltamos da viagem só tinhamos 2, inclusive o que estava em casa. O que perdemos deve ter ficado embrulhado no meio dos lençóis do hotel de Shibuya.

E foi assim que o Tico começou a ir na escolinha. Pano na mão, dedo na boca. O pano, companheiro inseparável, não perdeu um dia na escola. Foi talvez graças ao pano que o Tico consegiu sobreviver na escola e a superar a separação comigo.

Mesmo já acostumado a escola, com mais de 3 anos, o Tico ainda continuava apegado ao pano, que agora já parecia mais um “trapo”. O que restou do pano da canga, de tão fino, era só fiapos que ele fazia questão de rasgar mais e mais.

Um dos trapos chegou a estar perdido na sala da Lily (na escola) por meses. Até que quando a escola entrou em recesso em outubro e fizeram uma limpeza geral na sala dela encontraram o precioso “pano” entre as almofadas do sofá. Alguém da escola chegou a ligar para avisar do “achado” e se quiséssemos poderíamos ir buscá-lo imediatamente.

Agradeci a consideração, de verdade. Mas eu estava planejando um  jeito de fazer o Tico “esquecer” o tal pano e ele ja estava sobrevivendo sem nenhum por quase 1 semana. Na verdade ainda tinha mais um pedaço em casa, escondido, que eu já estava considerando guardá-lo como peça de museu. Mas foi só ele ouvir o telefonema para insistir em ter o pano de volta. Acabei cedendo o que tinha em casa…

Aos 3 anos e meio, quando minha mãe esteve aqui em dezembro de 2007, de tão irreconhecível que estava o pano, o Tico já o chamava de “boro-boro” em japones. O Teco o repetia de “bolo-bolo”.

Depois, talvez durante o Ano Novo Chinês, mais um pedaço se foi. Aleluia, agora o último pedaço deveria tomar o mesmo fim até não mais que o aniversário de 4 anos. O dedo (de chupar) teria de ir junto também!

No entanto não precisei esperar tanto tempo assim. Foi só o Tico entrar de férias em março, e aconteceu tudo naturalmente, sem trauma.

Num domingo em que fomos ao Central World Plaza (WCP), lembro-me de ter visto o Tico com o pano no carro. E talvez ele o tenha carregado para o restaurante japonês (Ootoya) e talvez ainda para o playground. Não sei exatamente quando e onde, mas desde que chegamos em casa não lembro de ter mais visto o trapo em lugar algum.

Passaram-se uns dias e o Tico ainda insistia no “pano”, principalmente na hora de dormir. Finalmente ele parece ter entendido que não adiantava insistir. Até, de consolo, mostrei-lhe uma outra canga, mesmo material só que de outra cor e não adiantou. O “pano” era insubistituível. Talvez porque o tecido ainda era novo, não tinha fios acabelados e não era tão transparente, esse não era o mesmo.

E foi assim, que com 3 anos e 8 meses o Tico finalmente largou do tal do “security blanket”.

“-Adeus trapinho !”

Só me falta agora ele aparecer de novo entre as almofadas do sofa ou debaixo da cama !

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Quero voar !

Criança sempre tem de inventar, nāo é ? Ouça só então as ultimas do Tico.

[Tico] - Por que passarinho voa?

[Eu] - Porque tem asas.

[Tico] - Eu tambem quero voar !

[Eu] - Voce não pode voar porque não tem asas, tem braços.

[Tico] - Mas o SUPER HOMEM tambem tem braços, por que ele voa ?

Fiquei eu presa na minha propria armadilha…

Na rua estava um carro todo batido e abandonado, talvez aguardando guincho.

[Tico] - Por que carro bateu ?

[Eu] - Porque o homem bebeu cerveja e homem bebado não pode dirigir. Agora morreu.

[Tico] - Homem morreu e vai pra onde ?

[Eu] - Virou fantasma e anda por ai.

[Tico] - Homem mal vira fantasma mal ?

[Eu] - E homem bom vai para o céu com o Papai-do-céu.

[Tico] - Então fantasma mal vai morrer e virar homem bonzinho também.

Sem saber o Tico me falou em misericórdia e ressureição.

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“Pinoquio” em Chinês ?

Umas semanas atrás, quando o Tico pegou uns livros da estante e pediu para que eu os lesse, estava entre eles um livro em chinês, o do Pinoquio. Ele insistiu para que o lesse e não queria a desculpa de que mamãe não sabe ler chinês.

Geralmente quando lemos para as crianças um livro que não é na nossa língua nativa mostramos as figuras e vamos contando a estória do nosso jeito, na nossa língua. Só que no caso deste Pinoquio, as figuras eram tão mal elaboradas a ponto de não serem auto-descritivas. Por mais que tentasse não dava para continuar mantendo a narrativa original somente baseada nas figuras. Afinal o Pinoquio é uma estória infantil clássica e não queria distorcê-la tanto assim. A primeira figura do livro já mostra o Pinoquio de nariz comprido e sem jeito de boneco de madeira, dá pra entender ? Era como se tivesse de contar a estória de trás para frente ! Virei a primeira página e falei:

“- Esse livro está em chinês e a mamãe não sabe ler. Tem de pedir do papai, tá bom ?”
Depois de muito choramingar o Tico desistiu. Pegou o livro e me deixou na cama com o Teco. E parece que enquanto eu colocava o Teco para dormir o pai leu o Pinoquio para ele. Depois de um tempo lá vem ele de novo para dormir, ainda com o livro na mão. Quieto, põe o livro de lado e diz que quer dormir, finalmente.

No dia seguinte, já pronto para ir a creche, saindo da porta ele se volta e fala:

“- Chinezi, Tico quer chinezi!”

Tanto o pai quanto eu nos entre olhamos sem saber o que menino está falando, só preocupados que as crianças estão atrasadas. E lá vem o Tico saindo da porta do quarto com a cara de satisfeito e com o livro do Pinoquio debaixo do braço. “Chinezi” queria dizer chinês. É o livro em chinês que ele queria !

No carro pergunto:

“- Então o que o Tico queria era o livro em chinês do Pinoquio né?”

Apontando para a capa do livro onde está escrito Pinoquio em letras chinesas ele soletra devagar:

“- CHI-NE-NE-NE-ZZ!”

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Mentira de Pinoquio

Não sei qual é a idade média da “puberdade” para mentira, mas se existe uma época em que as crianças começam a mentir, Tico, com 3 anos e 8 meses deve ter-la alcançada agora. Perguntas típicas a que submetemos as crianças nesta idade:

“- Já escovou o dente ?”

“- Fez xixi ?”

“- Lavou as mãos?”

No caso do Tico, são perguntas que geralmente vem seguidas de um simples “…hum…” e aí já sei o quê que é ou pode ser. Pergunto de novo e de novo. Lá pela terceira ou quarta vez a resposta já não é tão audível.

“-[...]“

E se é, ele falou a verdade. Se nāo, agora é a minha vez de falar um pouco de “mentirinha” também.

“- Se o Tico estiver mentindo o nariz vai crescer igual do Pinoquio hein ! Vai lá ver no espelho !”

E lá vai ele correndo para a frente do espelho. Volta passando por mim, segurando a ponta do nariz correndo para o banheiro, agora para lavar as mãos de verdade.

Volta do banheiro com as duas mãos ainda segurando a ponta do nariz e, com a voz de preocupado no mais inocente tom pergunta:

“-Por que o nariz tá crescendo ? Tico não quer nariz grande !”

“- Não precisa chorar, agora que o Tico foi lavar as mãos o nariz vai voltar ao tamanho normal”, agora é a minha vez de consolá-lo também com um abraço bem forte.

Mentira inocente, sem maldade, ainda se cura com Pinoquio. Mas e no dia que elas viram maldosas e ai Pinoquio nenhum vai mais poder nos ajudar ? O que fazer ?

A propósito, o Teco de 2 anos e 5 meses ainda não descobriu a mentira e tão pouco acredita em Pinoquio.

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Politicagem a Americana

Ja faz mais de 1 ano que abri este blog e quando finalmente começo a escrever alguma coisa é sobre politica americana. Falta de outros assuntos nāo seria, mas talvez falta de companhia para ouvir minhas abobrinhas.

Mas é que veio essa curiosidade que bateu na minha cabeça e tinha de comentar com alguém. Meu marido é nascido nos Estados Unidos mas de americano só tem mesmo o passaporte, detesta quase tudo que é de lá e por isso nem adianta conversar com ele.

Por acaso, é só coincidência que politico americano é tambem advogado ou pelo menos formado em Direito?

O ano de 2008 começou com a corrida americana para a presidência e hora ou outra veem a tona comentários de que Hillary é graduada em Direito na Universidade de Yale, assim como seu marido e ex-presidente Clinton. Obama formou-se em Harvard, assim como o contraditório recém destituido ex-governador de Nova York, Spitzer.

A lista de politicos americanos graduados em Direito não deve parar ai mas minha pequena mostra já foi o suficiente para me fazer lembrar de um comentário que meu pai costumava fazer : “Jamais confie em político e advogado, é tudo mesma raça”.

No Brasil a situação politica e social é um pouco diferente. A realidade é que entrar na politica é mais fácil do que entrar numa faculdade, muito menos a de Direito. Só que o pré-requisito é o mesmo e qualquer um, rico ou pobre pode ter:

…muita lábia…

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If Hillary were your wife…

I’m not a man, but a normal suburban housewife with 2 kids. Recently, moved by the excitement around the American Democratic presidential run, I’ve been watching more CNN whenever the kids let me.

Watching Hillary’s latest “hate x love” behavior against her opponent Obama, made me be even more certain that I’d not like to see her in the front run. The “stage” looks like a cheap Mexican soapopera, I told my husband. That will probably bring her more female voters in the blue-colored state Ohio or the latino dominated Texas. However, reading “Obama’s Support Grows Broader, New Poll Finds” on New York Times, brought me another perspective. The one of why Obama has been getting more support from men (”[Obama] had the support of 26 percent of the male Democratic primary voters; in the latest poll, that had climbed to 67 percent.“)

I can see why, after been spelling so many words on her opponent male voters would be avoiding her. Male voters hear the voice of their own angry wives behind her. Myself, how often had I not turned to my husband to trown him words like “Shame on you!” ?

I’m in my early 40’s and 10 of those years, being with my husband. He knows that every month I can change my mood between love X hate at every half-an-hour (just being optimistic). He has turned wise enough to avoid any conflict with me during this time but even with no reason, I would spell crocodiles on him sometimes. Sometimes I regret for my behavior, sometimes not. Sometimes I’m too emotional and sometimes I’m too cold. After the turmoil I’m devastated…

When I look at Hillary’s behavior I can see myself there sometimes (she had even cried before !) and that might associate with many female voters. If me, as a woman see myself on her, why not our husbands would not see their wives there, on their worst mood ?

Many men may not know WHO they want to be the President of the United States, but they probably know better WHO they DON’T want to, and THAT is their wives !

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Lèse-majesté ou vandalismo?

Recentemente um suíço foi condenado pela justiça tailandêsa por ter cometido um ato de “lèse-majesté”, pichou as fotos do rei e da rainha (vide artigo).

O fato aconteceu durante as festividades de comemoração do jubileu de ouro de ascensão ao trono, o que não poderia ter sido pior. O país inteiro se vestia de amarelo, a cor tradicional do rei. Em cada esquina a foto do rei decorava o altar com flores e velas. Os jornais comentavam sobre os convidados VIPs que viriam para as festividades principais. Era o orgulho máximo deste país que estava a mostra, todos viviam para homenagear o seu mais adorado e respeitado rei. Um momento tão inoportuno para um estrangeiro que ja vivia aquí ha mais de uma decada cometer um ato de vandalismo sem explicação. Ou será que teria explicação ?

Um estrangeiro que mora aquí há mais de 10 anos não tem como dizer que não sabia que ofender o rei é crime sério neste país. Mesmo um turista recém chegado tem como notar a reverência prestada ao rei neste país . É só chegar no aeroporto, descer as escadas para a alfândega, pegar o táxi para o hotel (até dentro e fora do táxi), fotos com a cara do rei e emblemas da casa real estão estampadas pela cidade.

Para quem anda de metrô e trem e em muitos dos lugares públicos da cidade sabe que duas vezes ao dia o hino do rei é tocado nos auto-falantes. As pessoas, estejam elas andando, subindo as escadas , batendo-papo com algum conhecido ou comendo no quiosque da estação páram o que estão fazendo e prestam continência para reverenciar o rei durante o hino. Nos cinemas e teatros, antes de qualquer apresentação as pessoas se levantam durante o hino também. Seja estrangeiro ou não, não se levantar durante o hino é um ato de resrespeito. Pessoas ao seu redor no cinema irão provávelmente bater nos seus ombros e falar para voce se levantar também. Todas as segundas-feiras muitos tailandeses vestem uma camisa amarela que representa a cor do rei nascido numa segunda-feira (aqui na Tailândia cada dia da semana é representado por uma cor e segunda é o dia do amarelo).

A demonstração de afeto não pára por aí. O rei é adorado como nenhum outro ser do mundo e é chamado de o pai de todos (até o dia dos pais é comemorado no dia do seu aniversário) . É considerado um homem cheio de virtudes e muito bondoso, um homem que ama o seu povo e sua terra. A ele são até atribuídos certos feitos “milagrosos”.

Para um ocidental toda essa veneração é exagerada. Os tailandeses são muito ingênuos para aceitar que seu rei, assim como virtudes tem defeitos, que o rei é mortal e que ele não é nenhum lider religioso se aclamando Deus. Jamais ninguém ousaria fazer comentários negativos a respeito da pessoa do rei (nem eu ouso a escrever o nome dele diretament aqui no blog com receio de que tomem meu comentário como ofensivo). Já lí comentários que fazem alusão não muito positiva sobre a verdadeira personalidade do rei mas claro, foram escritos por estrangeiros. Tais publicações são banidas do país. Até comentários sobre o recente julgamento do suíço que acabou sendo condenado por 10 anos de prisão não foi notícia na média local.

O ato cometido pelo suíço, a meu ver, não merecia tal punição. O rei, mostrando bondade deveria intervir e usar seu poder para perdoar. Se o suíço tivesse pichado a cabeça do buda por exemplo, não teria acontecido nada (o país é mais e 90% budista). Não é questão de medir quem é mais importante, buda ou o rei, mas foi só uma pichação numa foto entre as centenas de milhares espalhadas pelo todo país. O suíço não usou palavrões para ofender o rei e nem saiu falando difamações a seu respeito.

Se quisessem lhe dar punição, que o mandassem pagar “tamboon” (ato de pagar benovolência dentro do budismo tailandês) no templo andando 3 vezes ao redor da estupa com uma vela, incenso e uma flor de lotus na mão. Para completar, enquanto caminha poderiam fazê-lo repetir :”We love the King”, o slogan usado pelos discípulos do rei nas camisetas, braceletes e todos os souvenirs relacionados ao rei.

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A variedade de gostos

Falando mais em DVD’s, desta vez é para falar de outros favoritos do Tico. Além do filme do Paulinho da Viola, tem outros musicais que estão na sua lista.

Na verdade é mais um documentário sobre o carnaval do Rio e chama “Escolas de Samba, O Espetáculo”. Tem entrevistas misturadas com cenas do desfile e histórias das escolas principais. Não preciso dizer que o Tico adora mesmo ver o desfile com pessoas dançando, ritimistas fazendo suas performances, passistas e carros alegóricos. Ele aponta para a TV e fala “uuh!” quando passa um carro alegórico cheio de bonecos enormes, tigres e águias. Bate as palminhas fazendo o ritmo da batucada, levanta os braços e roda quando vê os passistas ou bate os pés no chão como se estivesse em plena avenida sambando.

Uma vez o pai perguntou se não haveria problema mostrar nudez para o Tico. Falei que claro que não, no Brasil nunca ouví falar de pais que não deixem suas crianças verem o carnaval na TV com medo da nudez. Será que tem ? Acho que tem coisa pior que nudez de desfile de carnaval na TV hoje em dia. Mas por consenso resolvemos que não seria bom passar o DVD na presença de tailandêses, por questões religiosas, morais e talvez culturais, seja lá o que for.

Recentemente, o que tem servido de entretenimento para o Tico a noite antes de ele ir para a cama é DVD de música clássica. Hoje por exemplo funcionou 100%. Ele dormiu enquanto assistia a orquestra filarmônica de Viena tocar uma valsa de Straub. O Tico dá até umas boas gargalhadas vendo o Nikolaus Harnoncourt conduzir a orquestra e fica imitando os gestos e caretas do maestro.

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O heroi tailandês de neve

“O esquiador tailandês, um adorável perdedor”, este fo o título da notícia sobre o único atleta tailandês nas Olimpíadas de Inverno de Turin. Ele foi, nada mais, nada menos, que o lanterninha nos 15Km de cross-country.
Para alguém como ele, nativo e criado num pais tropical como o nosso, só pelo fato de participar de uma competição tão adversa já faz dele um campeão. Junto com ele haviam outros heróis de outros países como Etiópia, Kenya, Costa Rica e um brasileiro. Bom havia um competidor da Mongólia mas este já nasceu cercado de neve e se foi mencionado como “adverso” no jornal, é só porque veio de um país de terceiro mundo.

O herói tailandês, que nem é tão novo, tem 48 anos e atingiu um sonho que poderá ser contado por várias gerações e com orgulho. Diferente de um outro brasileiro, competidor de bobsled que foi condecorado como o primeiro atleta destas olimpíadas a ser mandado de volta para casa por doping. Este também pode ser que vá para a história, mas em um outro livro, o dos anti-heróis.

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