Lèse-majesté ou vandalismo?

Recentemente um suíço foi condenado pela justiça tailandêsa por ter cometido um ato de “lèse-majesté”, pichou as fotos do rei e da rainha (vide artigo).

O fato aconteceu durante as festividades de comemoração do jubileu de ouro de ascensão ao trono, o que não poderia ter sido pior. O país inteiro se vestia de amarelo, a cor tradicional do rei. Em cada esquina a foto do rei decorava o altar com flores e velas. Os jornais comentavam sobre os convidados VIPs que viriam para as festividades principais. Era o orgulho máximo deste país que estava a mostra, todos viviam para homenagear o seu mais adorado e respeitado rei. Um momento tão inoportuno para um estrangeiro que ja vivia aquí ha mais de uma decada cometer um ato de vandalismo sem explicação. Ou será que teria explicação ?

Um estrangeiro que mora aquí há mais de 10 anos não tem como dizer que não sabia que ofender o rei é crime sério neste país. Mesmo um turista recém chegado tem como notar a reverência prestada ao rei neste país . É só chegar no aeroporto, descer as escadas para a alfândega, pegar o táxi para o hotel (até dentro e fora do táxi), fotos com a cara do rei e emblemas da casa real estão estampadas pela cidade.

Para quem anda de metrô e trem e em muitos dos lugares públicos da cidade sabe que duas vezes ao dia o hino do rei é tocado nos auto-falantes. As pessoas, estejam elas andando, subindo as escadas , batendo-papo com algum conhecido ou comendo no quiosque da estação páram o que estão fazendo e prestam continência para reverenciar o rei durante o hino. Nos cinemas e teatros, antes de qualquer apresentação as pessoas se levantam durante o hino também. Seja estrangeiro ou não, não se levantar durante o hino é um ato de resrespeito. Pessoas ao seu redor no cinema irão provávelmente bater nos seus ombros e falar para voce se levantar também. Todas as segundas-feiras muitos tailandeses vestem uma camisa amarela que representa a cor do rei nascido numa segunda-feira (aqui na Tailândia cada dia da semana é representado por uma cor e segunda é o dia do amarelo).

A demonstração de afeto não pára por aí. O rei é adorado como nenhum outro ser do mundo e é chamado de o pai de todos (até o dia dos pais é comemorado no dia do seu aniversário) . É considerado um homem cheio de virtudes e muito bondoso, um homem que ama o seu povo e sua terra. A ele são até atribuídos certos feitos “milagrosos”.

Para um ocidental toda essa veneração é exagerada. Os tailandeses são muito ingênuos para aceitar que seu rei, assim como virtudes tem defeitos, que o rei é mortal e que ele não é nenhum lider religioso se aclamando Deus. Jamais ninguém ousaria fazer comentários negativos a respeito da pessoa do rei (nem eu ouso a escrever o nome dele diretament aqui no blog com receio de que tomem meu comentário como ofensivo). Já lí comentários que fazem alusão não muito positiva sobre a verdadeira personalidade do rei mas claro, foram escritos por estrangeiros. Tais publicações são banidas do país. Até comentários sobre o recente julgamento do suíço que acabou sendo condenado por 10 anos de prisão não foi notícia na média local.

O ato cometido pelo suíço, a meu ver, não merecia tal punição. O rei, mostrando bondade deveria intervir e usar seu poder para perdoar. Se o suíço tivesse pichado a cabeça do buda por exemplo, não teria acontecido nada (o país é mais e 90% budista). Não é questão de medir quem é mais importante, buda ou o rei, mas foi só uma pichação numa foto entre as centenas de milhares espalhadas pelo todo país. O suíço não usou palavrões para ofender o rei e nem saiu falando difamações a seu respeito.

Se quisessem lhe dar punição, que o mandassem pagar “tamboon” (ato de pagar benovolência dentro do budismo tailandês) no templo andando 3 vezes ao redor da estupa com uma vela, incenso e uma flor de lotus na mão. Para completar, enquanto caminha poderiam fazê-lo repetir :”We love the King”, o slogan usado pelos discípulos do rei nas camisetas, braceletes e todos os souvenirs relacionados ao rei.

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A variedade de gostos

Falando mais em DVD’s, desta vez é para falar de outros favoritos do Tico. Além do filme do Paulinho da Viola, tem outros musicais que estão na sua lista.

Na verdade é mais um documentário sobre o carnaval do Rio e chama “Escolas de Samba, O Espetáculo”. Tem entrevistas misturadas com cenas do desfile e histórias das escolas principais. Não preciso dizer que o Tico adora mesmo ver o desfile com pessoas dançando, ritimistas fazendo suas performances, passistas e carros alegóricos. Ele aponta para a TV e fala “uuh!” quando passa um carro alegórico cheio de bonecos enormes, tigres e águias. Bate as palminhas fazendo o ritmo da batucada, levanta os braços e roda quando vê os passistas ou bate os pés no chão como se estivesse em plena avenida sambando.

Uma vez o pai perguntou se não haveria problema mostrar nudez para o Tico. Falei que claro que não, no Brasil nunca ouví falar de pais que não deixem suas crianças verem o carnaval na TV com medo da nudez. Será que tem ? Acho que tem coisa pior que nudez de desfile de carnaval na TV hoje em dia. Mas por consenso resolvemos que não seria bom passar o DVD na presença de tailandêses, por questões religiosas, morais e talvez culturais, seja lá o que for.

Recentemente, o que tem servido de entretenimento para o Tico a noite antes de ele ir para a cama é DVD de música clássica. Hoje por exemplo funcionou 100%. Ele dormiu enquanto assistia a orquestra filarmônica de Viena tocar uma valsa de Straub. O Tico dá até umas boas gargalhadas vendo o Nikolaus Harnoncourt conduzir a orquestra e fica imitando os gestos e caretas do maestro.

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O heroi tailandês de neve

“O esquiador tailandês, um adorável perdedor”, este fo o título da notícia sobre o único atleta tailandês nas Olimpíadas de Inverno de Turin. Ele foi, nada mais, nada menos, que o lanterninha nos 15Km de cross-country.
Para alguém como ele, nativo e criado num pais tropical como o nosso, só pelo fato de participar de uma competição tão adversa já faz dele um campeão. Junto com ele haviam outros heróis de outros países como Etiópia, Kenya, Costa Rica e um brasileiro. Bom havia um competidor da Mongólia mas este já nasceu cercado de neve e se foi mencionado como “adverso” no jornal, é só porque veio de um país de terceiro mundo.

O herói tailandês, que nem é tão novo, tem 48 anos e atingiu um sonho que poderá ser contado por várias gerações e com orgulho. Diferente de um outro brasileiro, competidor de bobsled que foi condecorado como o primeiro atleta destas olimpíadas a ser mandado de volta para casa por doping. Este também pode ser que vá para a história, mas em um outro livro, o dos anti-heróis.

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Babá de verdade

A melhor babá do ano, eleita pelo Tico, ou melhor, eleito : Paulinho da Viola.

O Tido está enjoado, não quer comer, está choramingando, não quer dormir ? Passa o DVD do Paulinho da Viola, “Meu Tempo é Hoje” que ele pára. Fica quieto, ou melhor, alegre e calmo mas não exatamente silencioso. Ele bate as mãos tirando o ritmo do sambinha, dá os gritinhos de contentamento, dança e pede para repetir música ou adiantar o filme para poder ver só a parte musical.

E como criança nos surpreende com sua capacidade de memória. O Tico é capaz de prever a próxima sequência de cena e não precisou ele ver o DVD muitas vezes para saber que a próxima cena mostrará relógios de parede, por exemplo. Segundos antes de a cena mudar ele já imita o som do relógio.

Elton Medeiros e sua caixinha de fósforos também não passaram desapercebidos. O Tico achou uma caxinha de fósforos na cozinha outro dia e começou a bater nela com os dedos. Fiquei tentanto adivinhar o que ele queria que eu fizesse, abrir a caixinha ? Abrí e ele reclamou. Ele então apontou para a sala e fui junto com ele. Ele ligou a TV e bateu na caixinha de novo falando “ten-nen”, que é como ele fala música, instrumento musical ou tudo que é relacionado. Ele queria que eu passasse o DVD do Paulinho. E não podia ser qualquer parte do filme não, tinha de ser o Elton com a caixinha.

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Quando nos damos conta de que somos “mãe”

Sei que toda mãe se derrete toda quando seu filho a chama de “mamãe” pela primeira vez. No entando, eu não vinha ensinando o Tico a me chamar de coisa nenhuma. Sabia que um dia ele tinha de me chamar de alguma coisa e estava curiosa para saber como seria.

O episódio aconteceu recentemente. Foi na frente de outras pessoas e foi a coisa mais doce que ja ouvi, me deixou toda encabulada. Ele falou “momeee!” e abriu aquele sorriso.
Embora eu nao o tenha ensinado, o pai e outras pessoas o ensinavam. Esta certo que “momee” é inglês mas me deixou super orgulhosa, por que nao?

Enquanto minha mãe esteve aqui ela ensinou ele a falar “mamãe” em português. Depois que ela foi embora e ele ficou doente, ele falava sempre alguma coisa parecida com “mamã” na hora que queria colo desesperadamente. So que eu fiquei meio na dúvida se ele queria dizer “mamãe” ou se estava só falando que queria comida com voz de dengo (já que comida para ele é “manman” e soa parecido).

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Como viver sem CPF ?

Antes de criar meu blog aqui no wordpress.com passei por uns sites brasileiros com a intenção de poder me registrar em algum site lá já que iria postar em português. Depois de começar a inserir meus dados, me deparei com o campo pedindo meu CPF. Continuei digitando os dados ignorando o CPF e finalmente quando submeti o registro deu erro, como era de se esperar.

Se o serviço de blog é de graça como eles anunciam, para que CPF ?

Eu saí do Brasil há uns 15 anos e na época tirei um CPF sim. Me deram um cartão que era uma replica de um CPF de verdade e dizia, em diagonal e em letras bem grandes : PROVISÓRIO. Nunca, depois disso recebi o CPF válido para repô-lo. Com certeza esse já está com prazo expirado.

A solução então é fugir, ir num provedor em inglệs onde não exista o bendito CPF. Felizmente eles não pedem o número do cartão de crédito, que seria o cúmulo.

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