Publicado por: rivermom | maio 4, 2008

Laos e o platô de Bolaven

Quando meu marido falou que tinha de ir a Laos a serviço, nāo pensei duas vezes. Vamos todos juntos ! Mesmo que a viagem seja só de 2 dias achei interessante irmos porque seria de carro. Teriamos a chance de passar por lugares que de avião jamais passariamos e as crianças ficariam a vontade.

Seria minha primeira visita a Laos embora sempre tivesse vontade de ir, desde os tempos de mochileira. Até então o único nome de cidade que eu sabia era a capital Vientiene. Desta vez nossa viagem foi para o sul, a 700 km da capital. Uma pequena cidade chamada PAKXE na base do platô de Bolaven.

Nossa viagem de carro começou em Khon Kaen, passando por Mukdahan onde pernoitamos num hotel da cidade, ambos no lado Tailandes.

O rio Mekong marca maior parte da fronteira entre Tailandia e Laos mas ao sul de Laos, o Mekong fica completamente situado no lado de Laos.

Apesar de termos cruzado a fronteira parecia que ainda estavamos na Tailandia. Não tive dificuldades de me comunicar com as pessoas mesmo com o meu pobre tailandes e o mais importante, pudemos usar nosso dinheiro tailandes sem problema e ainda nos davam o troco em moeda tailandesa. O que diferenciou da Tailandia foram os rostos das pessoas. Principalmente as mulheres, tinham um semblante mais delicado que o das tailandesas, principalmente as de Issan (regiao mais proxima a Laos). É claro, a outra diferença é o pãozinho francês que me lembrar o pãozinho do Brasil e o sabor profundo e cheiroso do café.

De Mukdahan até o checkpoint da fronteira chamado Champasak foram 3 horas de carro. Tivemos de descer do carro para passar pela imigração do lado Tailandes e depois caminhamos até a imigração do lado de Laos.

Foi a primeira vez que cruzei a fronteira de dois países andando. Até então só lembro de ter cruzado as fronteiras do Brasil, Argentina e Uruguai mas de carro e não foi necessário passar pela imigração de nenhum país

Era um pouco mais do meio-dia quando chemamos na fila do lado de Laos. Só conseguimos sair dalí 2 horas depois. Não é que havia uma fila imensa de estrangeiros. Não havia fila nenhuma ! E não é para menos, o balcão do lado de lá estava vazio !

Os tailandeses que nos acompanhavam tiveram os papéis logo liberados. Assim como os dois japoneses do grupo. Os japoneses, porque o Japão é um grande contribuidor financeiro do país, recebem regalias como isenção de visto. Eles precisam pagar somente 70baht pelo carimbo. A japonesa do grupo pagou 100baht e esperou pelo troco que nunca apareceu, ate que alguém falou que os 30 baht foram para o “cofrinho de doaçāo” involuntariamente.

Nós, que tínhamos passaporte estrangeiro (não Tailandes e não Japones), tinhamos um outro balcão, só que ninguém trabalhando porque era hora do almoço e os dois oficiais tinham resolvido tirar juntos, ao mesmo tempo, o “lunch break”!

Sono e fome atacavam também minhas pobres crianças que tinham comido bem pouco no café-da-manhã. Desidratação dabaixo daquele calor de meio-dia também atacava. Nossas garrafas de água e petiscos das crianças estavam no carro. Quem imaginaria que iria demorar tanto assim ? Estávamos assim, presos no “dead zone” da fronteira, sem poder mais voltar para o lado tailandes pois ja haviamos feito a saída do país e sem poder entrar em Laos…

As crianças arrumaram um passatempo: espantar as pobres vaquinhas que vieram aproveitar o que restava de verde da grama.

Finalmente apareceu uma senhora vendendo água. Agora faltava comida… Foi então que percebí também uma senhora vendendo banana assada no outro lado da rua. Enquanto caminhávamos até as bananas BEA viu alguém vendendo “candy”. O calor já subia na cabeça e não teve jeito de controlá-lo, não havia nada mais do que “candy” aos olhos do BEA. Foi então com banana que eu consegui aliviar a minha fome e foi com “candy” que UFO e BEA aliviaram a fome deles…

Passada 1 hora chegou mais um estrangeiro. Um senhor italianos viajando sozinho e já bem acostumado com a lentidão do povo da região. Pegou um cigarro tranquilamente e começou a puxar papo com o Ewan, completamente alheio a nossa irritação e falta de paciência.

Os tailandeses e os japoneses que acompanhavam meu marido no serviço de Laos já também começavam a mostrar certa preocupação pois tinham compromissos para realizar ainda neste dia. Finalmente os oficiais do lado de trás do balcão apareceram. Tivemos de pagar 5400 baht(162US$) por nossos 4 vistos.

Finalmente pudemos retomar nossa rota. Ainda tinhamos 1 hora até o destino.

Ao cruzarmos a fronteira e entrarmos em Laos a visão mudou. As casas dos vilarejos está agora sob palafitas, as escolas são mais modestas, já não se vêem muitos templos budistas como no lado tailandes, onde aparece um templo a quase cada quilômetro. Não é por menos que os tailandeses costumam compara Laos com a Tailandia de 20 anos atrás.

Este parece ser um onibus de longa-distância que parece mais ser um caminhão de mudanças !

Mekong a vista, finalmente. Ai está a razão pela qual passaporte japones tem entrada livre neste país. A ponte representa uma das 4 enormes contribuições do governo Japones, a ponte Lao-Nippon.

Se a paisagem até então bucólica, tudo agora mudou. Foi só passar pela ponte que vimos, bem em frente a nós, obras colossais sendo contruídas em ambos os lados. Uma das obras parece ser um hotel 5 estrelas que deve abrigar nada mais nada menos que um casino estilo Las Vegas (ou quem sabe ainda mais extravagante como os de Macau!).

Antes de chegarmos ao nosso hotel, um simples hotel de 3 estrelas talvez, paramos para o almoço ainda tarde do que nunca. Já eram 2 horas e as crianças, depois de serem obrigadas a “enganar” o estômago com bolachas e balas (“candy”), já estavam sem apetite para nada. O sono deles talvez estivesse mais forte agora. Já os adultos puderam degustar a deliciosa sopa de macarrão vietnamita, o “pho”.

Depois do check-in do hotel seguimos viagem de carro até o platô de Bolaven, onde Ewan e seu grupo eram esperados para inspecionar uns lotes de terra orgânicos. O platô é conhecido pelas plantações de café e pelo terreno fértil.

Um pedágio de 20baht (0.60US$) no meio do caminho nos indica o início da subida do platô. A subida é leve e foi somente olhando as crianças brincando na frente das casas vestindo agasalhos que me fez perceber que a temperatura lá fora pudesse ser diferente. Foi curioso notar também que quase todos os jardins na frente das casas tinham uma espécie de planta que até então eu não havia percebido. As flores desta planta estavam de cabeça para baixo ! Foi só mais tarde que busquei na internet e achei o nome : angel trumpet.

Mesmo tendo desperdiçado tempo precioso na imigração, Ewan e sua equipe terminaram o serviço a tempo e fomos então levados para fazer um pouco de turismo com o grupo

A cascata de Tad Fan (ou Tad Yuand?)(Tad Yuang=Tad Fan?, localizada no topo do platô poderia ser usada em qualquer filme do Tarzan, tão alta ela é. Infelizmente só pudemos ver a cascata de cima pois as crianças se recusaram a por os pés no chão e eu não queria me imaginar ter de subir tudo de volta carregando 13Kg a mais nas costas !

Nós e as crianças ficamos somente passeando na parte do rio antes de descer a cascata. UFO é o que queria colo e BEA, apesar de cansado, não queria perder uma ponte, assim como essa, para atravessar.

A outra ponte, apesar de transitável, precisava de reformas.

Depois de um longo dia, no caminho de volta a cidade BEA ‘desmaiou’ de sono no carro. BEA lutou e lutou, até que sobreviveu acordado até chegarmos ao restaurante para a janta. Mas sem apetite, só quis tomar o seu leitinho de soja e ficou feliz de novo

Depois foi só brincar com minha camera, tirando fotos de todo mundo na mesa e é claro, da caixinha do seu leite preferido, que acabou saindo em cada pose como esta.

Eramos umas 15 pessoas na mesa e cada um resolveu pedir um prato diferente. A menina que tomou nosso pedido parece ter ficado toda confusa. Quando nossos pedidos começaram a chegar vinham quase todos errados. Vinha coisa que ninguém tinha pedido e não vinha o que tinhamso pedido. Ou então vinham repetidos. Eu pedi uma pasta e me vieram com duas. Eu também tinha pedido um arroz frito com frango para as crianças caso elas sentissem fome, só que veio com tanta pimenta que tive de passar para outra pessoa que tinha pedido um prato ainda mais pimentado que ele teve de desistir de comer ou teria um infarto. O restaurante, além de “tentar” servir comida, planta e distribui seu próprio café (Delta Coffee).

Comprei uns pacotes de café para nosso próprio consumo e mais uns para dar de presente, como este que vem embalado num potinho de palha muito gracioso e só custa 100baht (3US$)

O dia seguinte amanheceu chuvoso. As crianças dormiam tão bem que as deixamos dormindo até as 9. Como elas não haviam comido praticamente nada na noite anterior, presumi que elas estariam com fome. Errado, elas quase nem tocaram no pãozinho ! Eu aproveitei para matar as saudades de comer pãozinho no café-da-manhã com café-com-leite. Tinha também o paté que era especialidade do restaurante.

As crianças voltaram para o quarto e continuaram brincando com os carrinhos. Briga aqui e acolá, BEA resolve esconder uns carrinhos dentro da geladeira. Ele parece ter escondido uns carrinhos em algum outro lugar também pois dei falta deles depois que voltamos a Bangkok. Pena que eram uns dos favoritos deles, do fliminho animado CARS. Pelo menos resta o consolo de que fizemos ao menos uma criança de Laos feliz. Fica também como gorgeta que não deixamos no quarto quando saimos porque não tinhamos mais nenhuma nota pequena em mãos.

〜O hotel é simples mas a decoração, um pouco exagerada〜

Seguem também umas fotos de flores da região.

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