Publicado por: rivermom | janeiro 13, 2011

Como é uma mãe Chinesa ?

Foi este artigo que mexeu comigo desde de manhã e passei o dia inteiro como ele na cabeça.

“Por que as mães Chinesas são superioras” (original em ingles)

Amy Chua, a autora do artigo não se refrem ao afirmar que usa de metodos espartanos na educação de suas duas filhas. Insultos, intimidações seriam coisas comuns nos seu dia-a-dia. Privações e castigos por que as meninas tiraram uma nota não satisfatoria na escola, e voce pensa que um A- (a nota maxima nos EUA é o A+) já não estaria bom ? Claro que não, nada menos do que A+ em todas as materias, exceto Educação Fisica e Interpretação (teatro).

E ai daquela que disser que não quer tocar violino e nem piano mas uma guitarra eletronica. Um insulto sem tamanho para essa mãe, que talvez saisse por ai arrancando os cabelos da pobre menina, um a um. Não imagino o que a mãe diria se encontrasse um pedaço de papel com um numero de telefone escrito as pressas, e com o nome “Phillip” no meio dos livros de piano da filha de 15 anos. Vai  fazer o que, “castrar” a propria filha ?

Minha familia é parte chinesa desde que me casei (pelo simples fato de que meu marido é descendente direto de chineses) e com isso ganhei uma familia de cunhados, primos, tios e tias, alem de amigos igualmente chineses e seus descendentes. Pensei logo na minha sogra, claro e a geraçāo dela que com certeza se encaixa, com menos estupor talvez, no estereótipo da autora.

A maneira como ela expõe seus metodos deixa muita gente com dores no estomago, inclusive eu. Acho que o que mais me instiga não é nem tanto o metodo mas como essa mãe é capaz de privar as meninas do direto de decidirem seus proprios destinos. Por que teriam de virar modelos guiados pela mãe sem direito a vontades proprias, direito de exprimir seus proprios valores e vocações ? E se a menina tivesse mesmo vocação para cantora de rock ou se tiver extrema paixão por animais e querer ser uma veterinária ?

Me lembrei de quando tivemos nosso primeiro filho. Ele representa também o primeiro neto e ainda o primeiro filho do primogenito dos meus sogros chineses. Ao nascer, o meu filho ja recebeu a incumbencia direta de ser o herdeiro, um dia, o lider da geração dentro da mesma linha genealógica. Meu bebe, que nem pesava 4 Kg já recebeu esta carga enorme nas costas. E foi numa conversa não muitos dias depois que minha sogra chinesa mencionou, talvez num sonho acordado, qual universidade ele iria nos EUA, o neto que so tinha dias de vida ! O que se passava naquela cabeça dela naquele momento, não tenho a minina ideia. Será que ela já estaria pensando onde fazer doações anuais para garantir uma vaga no futuro ? (É comum nos EUA doações a instituições acadêmicas para aumentar o seu prestigio na hora da criança procurar vaga na escola)

Para mim soou mais que um insulto a uma mãe desesperada, ainda tentando ajustar-me a vida de mãe, com poucos intervalos entre os aleitamentos, me restabelecendo das dores e das noites mal dormidas e a sogra ali, balbucinado alusões 20 anos a frente da realidade que viviamos !

Antes que eu respondesse qualquer coisa meu marido falou, “Sei la se ele vai a uma faculdade, deixaremos ele decidir o seu prorpio futuro”. Foi uma resposta coerente, pensei.

Não entendi o que veio depois da boca da minha sogra, só entendi que a resposta do meu marido não a alegrou. Fechou a cara em desolação pelo insulto e respondeu algumas coisas em Chines.  Só entendi o conteudo da conversa depois quando meu marido mandou um email com um link para a biografia do Steve Jobs, o fundador da Apple. Ele foi um “drop-out”, nunca foi brilhante academicamente, ao contrario, foi sempre um problema nas escolas. Suas ideias no entanto, fizeram dele o homem mais criativo e inovador do seculo, alguem duvida ?

Sim, o que o meu marido queria dizer é que fazer uma faculdade não faz de ninguem uma pessoa mais sucedida que a outra. Meu marido completou para a minha sogra ainda: “Veja, eu terminei minha faculdade em computação numa prestigiada universidade americana e veja onde eu estou agora? Não fundei nenhuma Apple na minha vida”.

Esta afirmação do meu marido foi um insulto aos anos de trabalho do pai que ficou longe da familia para garantir estabilidade financeira para que os 4 filhos tivessem uma educação descente. Como muitos filhos de imigrantes nos EUA, meu marido cresceu praticamente longe do pai que trabalhava na Asia e deixou a esposa com os 4 filhos nos EUA onde os filhos receberiam melhor educaçāo, de acordo com o ideal da epoca. Se essa separaçāo foi certa ou errada ja esta longe para ser julgada.

Esta sim, é a realidade que muitas familias de imigrantes chineses passaram nessa epoca. Uma melhor vida academica iria garantir uma vida mais estavel a todos no futuro.

Para o meu pai, imigrante japones e sem ensino superior, a visão foi mais aberta e talvez por isso cresci sem pressão. Faculdade não seria importante e ele me deu opções na epoca. “Se voce acha que tem algum dote especial, que pode te fazer despontar no futuro, se existe alguma coisa que voce gostaria de fazer com paixão e se dedicar, va em frente, dedique-se, seja com um diploma ou não. Mas prometa-me que nada vai fazer voce desistir de conseguir chegar  a essa meta”. “Se voce acha que vai ser uma cidadã normal, talvez se despontando aqui e ali, então por favor tire um diploma pois é isso que vai fazer diferença no futuro”.

E eu decidi que seria uma cidadã normal, sem dotes para transformar a humanidade ou a vida das pessoas, não uma Eistein ou Marie Curie.

Reconheço esse tipo de mãe, a escritora do artigo,  e não precisa ser chinesa, pode ser indiana ou japonesa. Umas mais que outras e pelo menos a autora do artigo não releva ter usado de forças fisicas, o que causaria traumas fisicos ainda maiores nas meninas. As sequelas do trauma psicologico causado por essa mãe talvez estejam por vir ou talvez jamais virá aparentemente.

Certo ou errado, minha maneira de educar esta longe de produzir genios e com certeza meus filhos não estarão pisando o palco do Carneggie Hall para tocarem piano e tambem espero, que nem para limpar o chão, mas espero que eles cresçam confiantes em si, com bagagem suficiente para que um dia eles tomem decisões por conta propria. Nosso objetivo agora eh o de lhes proporcionar a mais vasta experiência possivel  e um dia eles mesmos vão descobrir os seus proprios destinos.

Não os punirei por tirarem notas baixas na escola, mas os punirei por não cumprirem os deveres ou por deixar coisas mal terminadas. Ouvirão sermões por  não terem se dedicado com mais enfase nas tarefas pois mesmo que não fossem os primeiros ou os mais perfeitos, poderiam ter usado o máximo de seus esforços e se sentirem realizados.

Não faço estereotipos e nem generos no tipo de educação dos nossos filhos mas acho que nosso pensamento é partilhado por muitas mães coerentes por ai. E  é simplesmente tão obvio que talvez não tenha ninguem que vai sair por ai escrevendo e tentando ganhar publicidade sobre o obvio.

Por outro lado posso ver tambem mães que leram o artigo e agora teem argumentos suficientes para forçar jornadas mais longas de lições de piano para os seus filhos: “Se ela conseguiu tocar aquela partitura com 6 horas de treino por dia meu filho terá agora 8 horas !”. Ou como uma prima não-chinesa casada com um primo chines do meu marido falou da sogra : “Agora ela vai falar, ta vendo, toda criança chinesa passa horas e horas estudando, por que não os meus netos ?”. E essa avó, que teve seus dois filhos graduados em Stanford e MIT respectivamente não morrerá feliz se seus netos não graduarem numa universidade de mesmo nivel ou pelo menos superior.

Antes de terminar queria deixar claro que não estou sendo contra as mães chinesas. Uma lição é não polarizar: “mãe chinesa” e “mãe não chinesa” pois todas tem seus pontos positivos e negativos. Hoje eu e minha sogra nos damos bem e vivemos num pacto de ela não impor. Nem sempre nós estamos certos ou não temos a experiência e nesses casos a sabedoria dos Chineses mais velhos ajuda e é bem vinda porque o que todos querem no final das contas é só o melhor para as crianças, não é mesmo ?

Publicado por: rivermom | maio 20, 2010

Ate aqui, naaao !

Nosso refugio temporario neste tempo de crise politica no pais, onde Bangkok se tornou o centro da rebelião que ja tirou a vida de mais de 50 pessoas é em Khon Kaen.

Khon Kaen é uma cidade de escala media, situada a umas 5 horas de Bangkok, no nordeste da Tailandia. População de 150,000 dos quais dizem a maioria suporta o movimento dos redshirts. Viemos para ca para fugir da violencia que estava tomando conta da capital e viemos parar numa cidade que SO TEM redshirt ? Sim, pode parecer maluco, mas meu marido e meu sogro tinham trabalho aqui e em vez de me deixar lá com as crianças achou que seria melhor estamos todos juntos e assim se tivessemos de usar o plano C (voar para Hong Kong), seria mais facil.

E assim viemos.

Ficamos atentos para as noticias de Bangkok atravez do twitter e a regra era ficar no hotel mas a situação por aqui estava calma. Até arrisquei a ir a loja de departamendo com as crianças para almoçar um dia. Saindo nas ruas não vi ninguem nas ruas suspeito de ser um redshit, nem bandeirinhas, nem faixas vermelhas. Nem os motoristas de tuc-tuc carregavam sinais de serem redshirts.

Foi então no dia 19 de maio, Central World Plaza no centro de Bangkok sendo destruido pelo fogo causado pelos redshirts. E ai, o que ja coloquei no blog passado com foto do fogo na prefeitura aqui de Khon Kaen.

Toque-de-recolher aqui tambem foi inevitavel.

Hoje, como nosso estoque de comida de emergencia tinha acabado, assim como leite para as crianças, resolvi dar um pulo no supermercado daqui da esquina. Ja tinha tudo na cestinha quando vejo duas moças saindo apressadas, cada uma com duas sacolas cheias de macarrão instantaneo e falando “Rapido, rapido!”. Pensei comigo mesma, alguma coisa cheira estranho e fui pagar minhas compras.  Foi quando ouvi barulho de portões automaticos se fechando um atras do outro. As lojinhas que ha 20 min tinham seus produtos a mostra estavam simplesmente FECHADOS ! O segurança do supermercado me  chamou para a fila. Perguntei o que era, em Thai e ele ficou todo confuso. Perguntei, “alguma coisa perigosa ?”. Ele respondeu so com a cabeça. Seja la o que for, tinha de sair correndo.

Saindo na rua, tudo tranquilo. Vi pessoas andando na rua no seu passo lento, natural de tailandes. Tinha uns entrangeiros tomando cerveja na outra esquina. So o Seven-Eleven que estava cheinho de gente na fila para pagar. No saguão do hotel tambem, ninguem mostrava nenhum sinal de algo estava para acontecer. Que diabos se passou no supermercado ? Boato de bomba, de saque ? Ate aqui o negocio esta ficando tenso ???

E so para esclarecer, o Central Deartment Store daqui continuou fechado hoje o dia inteiro, com policiais cercando o predio todo.

E segundo noticias que ouvi dos tailandeses do escritorio do meu marido, ontem 3 redshirts haviam tentado incediar a casa do prefeito. Foram detidos antes do ato pelos seguranças que atiraram contra eles. Os 3 faleceram na hora. Hoje os companheiros redshirts iriam fazer uma passeata pela cidade carregando os 3 corpos para mostrar ao resto do povo a barbaridade cometida. Muitas ruas da cidade ficaram com acesso proibido e o toque-de-recolher foi anunciado para hoje tambem.

Ja se passam 10 min desde que o toque entrou em efeito. E como ontem, carros, motos e pessoas ainda passam livremente nas ruas.

Publicado por: rivermom | maio 19, 2010

O que parecia ter terminado virou pesadelo !

Acabei de publicar um blog contando nossa experiencia de refugiado que ainda continua.

Hoje a tarde, 4 dos lideres dos redshirts fizeram a ultima aparição na frente dos militantes pedindo para todos se entregarem pacificamente. Foi uma fala comovente que ate ganhou minha simpatia, mas depois de tudo que eles ja provocaram certamente não poderão sair sem cumprir a pena da justiça.

Os mais radicais e revoltados com a decisão dos lideres iniciaram então uma serie de atentados em diferentes partes da cidade que se estendeu ate a outras provincias. Agora a cidade parece ser mais um caldeirão em chamas [vide video], com lojas de departamento sendo saqueadas e predios inteiros sendo sucumbidos pelo fogo provocado pelo vandalismo. Não existe mais lei na cidade, estão todos a mercê de um grupo de pessoas insanas agindo por puro vandalismo como um adolecente de 14 anos que foi preso por ter iniciado o fogo num predio abandonado durante os protestos.

O exercito controla certas partes mas a maior parte da cidade sofre com a falta de segurança. Ate os bombeiros que tentam apagar o fogo no centro de Siam tiveram de trabalhar sob tiros vindo de predios vizinhos e o exercito tentou protege-los para que o fogo fosse contido. A segunda maior loja de departamentos da asia, o Central World Plaza foi não so saqueado como destruido pelo fogo causado pelos revoltosos. Um jornalista do twitter ate comentou que encontrou nas ruas um tailandes calçando tenis diferentes em cada lado do pe e vestindo uma jaqueta esporte novinhas com um sorriso que não so demonstrava alegria, mas triunfo.

Logo a ansiedade parece ter tomado conta alguns moradores de Khon Kaen, vendo seus homens e mulheres serem “humilhados” la na capital, eles resolveram agir aqui tambem. Logo nas primeiras horas houve um alarme de fogo vindo da prefeitura da cidade. A fumaça ja subia alto quando mais fumaça apareceu de um ponto mais afastado, que não consegui identificar o que era.

Logo mais uma amiga viria nos buscar aqui no hotel para podermos passar o dia na sua casa. No caminho ela não conseguiu para no mercado para fazer compras pois encontrou tudo se fechando. Todos foram avisados para ir para casa. A situação não parecia nada otimista e resolvemos ficar hotel para aguardar mais noticias enquanto minha amiga voltou para casa para esperar o filho voltar da escola.

Eu resolvi fazer a mala de novo e esperar meu marido chegar do trabalho. Quando ele chegou a situação ainda não parecia tão ruim e ele achou mais seguro ficarmos no hotel pois teria mais seguranca (sera?).

Finalmente o governo decretou toque-de-recolher, não so na capital como em varias cidades onde os redshirts tem mantido suas atividades, inclusive aqui em Khon Kaen. Comiamos no restaurante do hotel quando ouvimos o auto-falante na rua (em tailandes!) avisando a todos do toque. Já tinhamos terminado de comer e especulado nossa proxima fuga (plano C), quando de repente ouvimos um barulho de uma coisa sendo atirada contra nós, logo do lado de fora da janela de onde estava nossa mesa. Foi uma pedra que atingiu o teto ou a janela de vidro ? Mesmo olhando de volta para a rua, parecia tudo tranquilo, havia ate algumas pessoas do outro lado e tudo parecia normal. Não so nós, mas as pessoas das mesas do lado tambem ficaram assustadas e os garçons só se entreolhavam. Não tivemos duvidas, sai as pressas com as crianças e deixei meu marido pagando a conta.

Estamos agora no quarto do hotel que fica no 11°andar, espero que alto o suficiente  caso o fogo comece la embaixo. O terraço fica no 12 andares acima e vamos precisar de um bom ar de pulmão para chegar ate la correndo !

Ja se passam 30 min do toque-de-recolher e ainda vejo carros, motos e pessoas nas ruas. O consolo é saber que hoje vamos poder dormir sem ter de aguentar o barulho horrivel que vem de uma disco la embaixo !

Sobre o plano C, evacuarmos para Hong Kong, sera mais uma vez discutido no cafe-da-manha de amanhã. Melhor agirmos antes que os redshirts bloqueiem o aeroporto daqui, isso sim !

Publicado por: rivermom | maio 19, 2010

O que se passa na Tailandia ?

E’ dificil contar os ultimos acontecimentos em Bangkok desde Março passado sem perder detalhes e quando a emoção tomar conta sei que vai dar um branco. Mas contar TUDO, daria um livro e não um diario.

Para encurtar, os red-shirts que lutam contra o atual governo da Tailandia mas tambem simpatizantes do ex-PM Thak(sin) tomaram o centro de Bangkok. Fizeram exigencias para a resignação imediata do PM, dissolução da casa, etc. O governo ofereceu uma contra-proposta que incluia dissolução em 5 meses e novas eleições em 2 meses. A proposta parecia ter dado efeito mas havia discordia entre os varios lideres do movimento anti-governo. Finalmente parece que o lider Thak deu a ultima palavra e a proposta do governo foi retaliada ou melhor, ignorada. Afinal ele fez de tudo para tentar criar o movimento para traze-lo de volta ao pais e se sentiu no minimo abandonado vendo algumas pessoas se simpatizando com a proposta do governo sem conseguir o que queria, “e eu, como fico ?”. Desde entāo o movimento ganhou força se extendendo para outras partes da capital. Violencia leva a violencia e hoje ja conta com um total de 36 mortos (em 16/05/10) em 2 meses e cada dia esse numero aumenta.

Desde que o movimento começou, as primeiras zonas dominadas foram a area de Siam, onde tanto eu como a maioria dos estrangeiros da capital, turistas e bancoquianos curtem as compras, os restaurantes e os cinemas, é a zona do lazer e das compras. Outra zona é a Silom/Sathorn/Saladaeng que é o centro financeiro. É onde se concentram bancos, embaixadas, esritorios de empresas privadas e tambem é onde esta o escritorio do meu marido. Nossa casa não é muito longe dai tambem.

Militantes do redshirt, ainda alegremente circulavam pela cidade em março

Foi em inicios de abril que saimos da Tailandia de ferias. Abril é o Ano Novo aqui (Songkran) e tambem o mes mais quente onde a temperatura passa dos 40C todos os dias. Escolas entram em recesso por 3 meses e preferimos passar esse tempo em lugares com temperaturas mais amenas de 20C. Desta vez a expectativa foi que durante nossa ausencia o movimento anti-governo se dispersasse, 2-3 semanas seriam o suficiente ? Acreditamos que sim, mas eu deveria ter calculado que um grupo que ordena os companheiros a coletarem sangue, seja humano ou animal e espalhar na porta do parlamento e na casa do PM como forma de protesto, sem levar em conta o perigo de agulhas contaminadas, sangue portando diferentes doenças e a etica são pessoas que não agem com razão. Semanas antes do episodio do sangue um homem havia sido preso ao espalhar o proprio excremento na porta da casa do PM. Alguem ja ouviu coisa parecida ? E o imprevisto aconteceu.

Foi durante a viagem que ficamos sabendo de noticias de bombas e atentados acontecendo bem ali, pertinho do escritorio do meu marido em Saladaeng. A rua estava cheia de policiais em prontidão para evitar mais violencia e todos os dias meu marido ficava informado do acontecimentos pelo telefone com os funcionarios. Acabamos extendendo nossa estadia no exterior por 1 semana mas a crise continuava, se não para a pior.

A noticia que repercutiu nessa epoca e que fez o mundo saber do que se passava da capital, conhecida como a “capital do sorriso”, foi a que os redshirts invadiram o hospital universitario. Alegaram que haviam visto atiradores profissionais escondidos no predio que dava de frente  para onde os redshirts estavam concentrados. O chefe do hospital negou as acusações que não foram ouvidas e muitos dos protestantes invadiram os corredores do hospital com bastões e armas, assustando os funcionarios e os pacientes. Digam-me, quem, com sanidade mental invade um hospital grande como o do Chula? A Cruz Vermelha funciona la dentro tambem.

Chegamos depois de 1 mes. Eu estava torcendo para que adiassem, mas meu marido tinha reunião marcada para o dia seguinte. Qual não foi nossa surpresa ao passarmos de carro pelo Lumpini Park ? Ha 1 mes atras nos deparamos com um grupo de redshirts na mesma esquina, ainda com um sorriso no rosto e viajando em pe na carroceria de uma caminhoneta. Agora o lugar estava cercado com barricadas feitas de pneus e bambus. Se haviam redshirts, everiam estar atras dos pneus. Parecia mais uma cena de algum filme de “fim de mundo”, um “Mad Max” real. Bandeiras vermelhas marcavam o territorio dos redshirts. Do outro lado da rua policiais guardavam a frente do hotel Dusit Thani.

Chegando ao predio onde iriamos fazer nossa primeira refeição na cidade a realidade veio aos nossos olhos. O estacionamento do Chaan Isara na Rama 4 tinha se transformado num acampamento para abrigar os soldados que patrulham a zona de Silom. Se a cena na frente do parque tinha me chocado, a cena no estacionamento foi mais forte. Os soldados, ainda jovens rapazes de 20 anos dividiam o chão sujo e duro do estacionamento que lhes servia de cama. O verão fazia o calor ficar ainda mais insuportavel, mesmo as 7 da noite. O ar era intrepido e so uns poucos ventiladores ajudavam a fazer o ar circular. Alguns tomavam banho ao lado de um tanque de agua improvisado no meio do estacionamento, outros dormiam (ou tentavam), um radio a pilha tocava uma musica quase indecifravel ao fundo. Ate me senti mal pois estavamos ali para comer a uns poucos andares acima deles mas com ar-condicionado e sentados confortavelmente e quando passamos por eles mal pude olhar nos olhos deles porque a culpa que sentia era maior. Para me conformar lembrei das conversas que tive com alguns amigos que fizeram treinamento no exercito em Manaus. Eles eram treinados a dormir na floresta for 30 dias, aprendiam a fazer cama com folhas e galhos, tinham ate de comer aquela minhoquinha branca de dentro do coco por proteina e tinha de ser vivinha ! “Aqueles meninos tambem tinham sido treinados e aquilo tudo seria só fichinha para eles”, é o que eu tentei colocar na minha cabeça antes de subir as escadas para o restaurante.

Passou-se assim 1 semana. Tensão em certas zonas mas ainda nada de confrontos corpo-a-corpo, as pessoas iam ao trabalho, nossas criancas iam a escola, o dia-a-dia continuava. Pontos isolados permaneciam, mas pude passar no supermercado, na loja de departamento, a Saladaeng estava livre, com a excessão de certos soldados fazendo patrulha. Nesses dias quentes dava pena de ve-los com aquele uniforme pesado, imagine o calor dentro daquele aparato todo.

Logo chegaram dois irmaos do meu marido dos EUA e os levamos diretamente do aeroporto para Hua Hin. Mesmo somente a menos de 3 horas de carro da capital o clima era todo diferente. Não vimos nenhum militante redshirt, nenhuma bandeira indicando a preferencia politica do povo local, nem comentarios dos acontecimentos em Bangkok.

Voltamos para Bangkok e os irmãos ainda puderam passar no MBK, um mall no centro de Siam popular entre turistas. Ate arriscamos ir a Silom a noite para comer com a familia toda. Tive a oportunidade de passar pela estação de trem onde soldados guardavam os acessos mas tudo estava traquilo. Os usuais vendedores ambulantes de Thaniya e Patpong  tinham suas vendinhas de DVDs falsos e outros ainda ofereciam os DVDs X para os homens do nosso grupo. Soldados sentados em certos pontos da calçada nos traziam de volta a realidade, mas mesmo assim eles sorriam para os meu meninos quando os viam passar curiosos na frente deles.

No dia 13 de maio estavamos so eu e as crianças a noite em casa. Meu marido tinha viajado a serviço e os irmãos pegaram voo de volta no mesmo dia. As crianças estavam na escola e o dia inteiro, mesmo de casa so se ouviam tiros ou estampidos vindos la de longe, Silom/Saladaeng ou Lumpini. Quando a tarde já caia, ouvi uma forte explosão e corri para a varanda. Logo depois um clarão seguido de um barulho ainda maior ! Parecia ter vindo se Saladaeng. Ligo para o celular de alguem do escritorio mas parece estar tudo bem la. Durante a noite, tiros e estampidos se tornam mais intensos mas com as janelas fechadas e o condicionador-de-ar ligado conseguimos dormir tranquilos.

No dia seguinte fico na duvida mas acabo mandando as crianças para a escola, afinal é perto de casa. Logo depois de deixa-los começo a sentir um clima diferente. Uma fumaça preta pode ser vista da varanda subindo no ceu la longe. Soube depois que os redshirts estavam queimando pneus velhos na rua. Nao parece ser de Saladaeng nem de Lumpini, mas de Rama 4, em frente ao predio da Embaixada Brasileira ! Logo a Sathorn, na esquina de casa é bloqueada pela policia. Sirenes de ambulancia são constantes. Ao meio-dia recebo telefonema da escola para pegar as crianças. E eu que queria ir fazer compras para caso de emergência ! Recebo telefonema do escritorio do meu marido me avisando para evitar sair de casa. Fui so pegar as crianças mas fiquei sem tempo de fazer o estoque de comida. Escritorios, bancos e tudo deve parar de funcionar na area pois as 3 horas o trem iria parar e os acessos a area incluindo Sathron, Silom/Saladaeng ficaram completamente bloqueado. A noite ouvi noticias de que os redshirts estavam avançando na Sathorn, perto a embaixada da Australia e isso significaria se aproximando mais da nossa casa !

O dia foi tenso mas tentava não mostrar ansiedade na frente das crianças. O meu iPhone me permite ficar atualizada com noticias fresquinhas pelo twitter sem ter de ficar na frente do computador ou da TV. Levei-os para brincar na piscina pois o calor assolava a todos e ficar em casa queimando o condicionador-de-ar não adiantava muito. Desta fez agradeço a mobilidade que tecnologia nos permite ter !

Meu marido chegou da viagem a noite e combinamos um plano de fuga caso a situação piorasse. O sabado passou tranquilo. Boatos de reconciliação ou de avanço das tropas se alternam nos meios de comunicação. So sei que é confuso e ninguem sabe o que vai acontecer mas sempre esperamos pelo melhor. Domingo o fogo na Rama 4 em frente a Embaixada Brasileira so piorava. Minha preocupação agora era com o toxico que vem na fumaça preta de pneu queimado, o cheiro deve ser insuportavel nas proximidades. Um funcionario da escola das crianças nos telefona dizendo que o inicio do ano letivo, prevista para o dia seguinte, na segunda foi adiado para a quinta-feira. Claro, nem precisava nos avisar e tambem duvido que haja retorno ate o final do mes !

Pneus em fogo na Rama 4, em frente a Embaixada !

Os boatos de que as tropas iriam avançar começam a parecer mais reais e era hora de colocar nosso plano A em pratica, nos mudarmos para a casa do meu sogro do outro lado do rio.

Enquanto fazia a mala o plano A virou B. Não iriamos somente passar a noite la como tambem pegar avião na segunda para Isan e de la, pegar outro avião para Puket. Poucas horas depois, plano C pareceu mais viavel. Pegar os passaportes pois talvez depois de Puket nosso destino seria Hong Kong ! E a mala so crescendo de tamanho… O que no inicio era uma mala pequena, acabou virando uma mala grande de 25Kg ! Roupas para 1 semana, material de estudo para as crianças, alguns brinquedos (uma quantidade enorme de carrinhos !), 2 computadores e haja coisa para levar… Nossa vida de refugiado começou.

O outro lado do rio parecia outra Bangkok. O comercio funcionava normalmente e estavamos longe dos barulhos tambem. Mas eu continuava com o meu twitter na mão.

Na segunda seguimos para o aeroporto. Passamos na expressway em Din Daeng, um dos pontos mais violentos com fumaça subindo ate a parte elevada da expressway. O hotel que fica proximo a via, o Century Park ja havia sido esvaziado ha uns dias atras. Essa foi a nossa ultima lembrança de Bangkok antes de seguirmos para o aeroporto.

Se os redshirts ou o movimento anti-governo lutasse puramente contra a elite, contra o sistema, eles talvez tivessem a simpatia de muitos residentes, inclusive a minha. Mas não é isso que os sustenta. É o que vem atras deles que faz o movimento todo virar uma luta so de interesses: salvar a fortuna confiscada do ex-PM Thak, traze-lo de volta do exilio e transforma-lo em chefe-de-estado. Todos nos sabemos a consequencia disso, uma ditadura e aclamada pelo povo ! Mas os militantes são pessoas humildes que acreditam no homem que lhes ofereceu algumas migalhas em troca de votos. Que eliminou inimigos com sangue frio, que calculou todos os passos para se tornar num dos homens mais poderosos no Sudoeste Asiatico. Muitos o comparam com o Berlusconi mas de longe mais obcecado pelo poder.

E não é so isso. Se pensavamos que haviam 2 grupo envolvidos, o governo e os redshirts, existe na verdade mais um grupo, os sanguessugas do black-shirts ! Claro, existem facções tanto no grupo do governo quanto no grupo dos redshirts. Mas esses blackshirts que pouco aparecem nas noticias são os extremistas, comunistas, que com o intuito de ajudar o ex-PM Thak a formar a república Thak, o que eles querem mesmo é derrubar a monarquia. Thak aceitou a juda deles para derrubar o governo e pensa que depois pode se livrar deles de um jeito ou de outro. Os blackshirts ajudam o Thak mas depois deverão se livrar dele e formar o socialismo. Loucura ? Vamos ver. [Note que este ponto de vista não é meu, mas de um conhecedor profundo sobre esses assuntos]

Hoje, dia 19 de maio vai ficar na estoria da Tailandia. O exército começou a avançar nos redshirts. Enquanto termino de escrever este blog, o twitter não pára de ser atualizado. O numero de mortes vai ultrapassar de longe o que aconteceu no “Black May” em 1992 quando 52 mortes foram oficialmente declaradas mas a situação chegou a um ponto em que nao se podia mais esperar por negociações. Os redshirts vinham destruindo predios, casas e estabelecimentos comerciais recentemente deixando milhares de civis em situação de desespero.

Coloquei as crianças vendo um DVD do “Curious George” no quarto do nosso hotel em Khon Kaen. Meu marido foi na empresa. Khon Kaen é em Isan, berço dos redshirts. Começo a ouvir barulhos de fogos-de-artificio daqui do hotel tambem.

Publicado por: rivermom | abril 1, 2010

Ferias: alegria de uns, desespero de outros

Para começar,  escrevi o cabeçalho deste blog ha 3 semanas atras e desde entao não consegui escrever nem a primeira linha.

Claro, ferias escolares, é isso !

Planejar o tempo com eles é simplesmente ter de mante-los entretidos por umas 16 horas consecutivas. O que me intriga é que durante o periodo escolar eles so se levantam da cama puxados na marra e levados para debaixo do chuveiro porque precisam das 10 horas de sono diariamente mas nas ferias 8 horas bastam, por que ?

“Onde nós vamos hoje ?”

… é a pergunta que corre antes de eu receber o meu “Bom dia!” deles.

Com certeza eles já combinaram na cama o que queriam fazer porque se não digo nada ou se sugiro ir a lugares desinteressantes para eles a resposta já vem unânime. E é engraçado que eles tem um banco de dados bem cheiozinho dos lugares preferidos pois não precisam repetir a semana inteira!

– Bangkok Garden : é um condominio com um playground enorme para eles andarem de bicicleta, scooter, skate, jogar bola, e fazer quase tudo que se possa imaginar outdoor. FREE, e ainda posso ficar de papo com outras mães ex-vizinhas.

– Carrefour Rama 4 : joginhos eletronicos, junglegym (custa um pouco de $$). E eles ainda andam de graça nas bicicletas que estão a venda (só vejo o dia em que vão nos mandar embora por parcialmente destruir o estoque deles!)

Funarium : $$$$ é o que doi, alem de serem pão-duros. E eles nem sequer deixam eu carregar a bateria do meu iPhone, que pelo preço que pagamos deveria estar incluido ! Mas as criancas ficam tão excitadas que quando voltam para casa a bateria esta totalmente descarregada.

Lumpini Park : que neste verão é tão quente que dá até pra matar urubu ! As crianças se divertem na areia, curtimos um pouco de natureza e de tanto que andamos que posso deixar de ir no gym sem me sentir culpada neste dia.

– Loja de departamento : falo aqui do Central, Paragon, CWP, etc. O objetivo das crianças é o e conferir novos brinquedos (e de comprar $$-$$$, claro que não são bobos!). E não é que tem sempre um lançamento novo ? Para mim a unica vantagem é que eu posso fazer um pouco de window-shopping tambem.

– Khao Kiew : se não fosse a distância (é na provincia vizinha, Chomburi, a caminho de Pattaya) é um otimo lugar para levar as crianças para conhecer os animais. Sim é um zoo. Eles nos permitem alimentar os animais, ate os grandes como hipopotamos, girafas, elefantes e emas. Pagamos preço de tailandes e ninguem vem atras da gente pedindo mais.

Wat Po : para quem nāo conhece é o templo proximo ao antigo palacio imperial no centro de Bangkok. Estranho as crianças gostarem de ir lá ? Sim. Mas temos o costume de ir lá desde que as crianças eram bebes e ate fizemos um filme no templo que acabou sendo premiado num concurso. O complexo do tempo parece mais um labirinto e as crianças gostam de caminhar na parte dos fundos do templo onde os mojes lavam suas roupas, passeiam, brincam de bola e dependendo da hora podemos ouvir o canto de meditação. Depois sempre damos uma parada para descansar num restaurante na beira do rio Chaopraya. Sorvete para as criancas e cafe para os adultos sentindo a brisa morna que vem do rio, vendo os barcos passarem e ao fundo, o sol se por logo atras do Wat Arum. É o gostoso de estar em Bangkok mas longe da vida moderna.

Rotfai Park : É um parque com muitas atividades para as criancas, desde um museu de ciencias a playground, museu de trem, etc… Alias esta será nossa visita amanhã !

Hora de dormir pois ja passam de meia-noite e os anjinhos ja estão dormindo. Como sempre, acordarãm tão anciosos que não vão me deixar despreguiçar na cama antes de me levantar !

Ah, antes que me perguntem no que consiste o meu “desespero” afinal de contas ?

Bom, é só virem na minha casa. Lavar roupa está em dia pois o maior trabalho é feito pela maquina mesmo mas passar… há uma defasagem com as roupas que saem da maquina de lavar de uns 5 dias que não dá pra igualar. O chão da casa so vê a vassoura 1 vez por semana (se não perdi as contas), aspirador e pano molhado no chão ? Deve ter sido ha umas duas semanas atras. Banheiro ? Humm, esse não da pra ignorar porque posso pisar em chão empoleirado mas usar banheiro sujo com marcas amarelas, isso nao dou o braço a torcer não !

Mas o desespero só toma conta geral quando não da pra cozinhar como eu quero. Os sintomas ? Termos de comer  fora e deixar as crianças comerem porcaria na rua !

Publicado por: rivermom | março 23, 2010

TRUE Provider x wordpress

I have been having trouble accessing wordpress blogs from my usual TRUE Move provider in Thailand. I wonder if other people have the same problem.
Even my iPhone which I use with TRUE 3G has problem.
As long as I use my iPhone on some other wireless connection I can get through.
I want to complain to TRUE but my husband says it’s useless…

I tried going online to TRUE on their customer service homepage but what I get after filling up my complaint is a blunt :

“Sorry, This service is temporary unavailable. Please try again later.”

They should at least let me know in advance they wouldn’t accept my complaint BEFORE I wrote the whole matter so that I could have saved my time !

Publicado por: rivermom | maio 12, 2009

Por baixo da batina

Ha um mes, quando o presidente do Paraguai Fernando Lugo assumiu a paternidade de um filho com uma mulher que não era sua esposa, o panico foi criado no nosso pequeno pais vizinho. Assumir paternidade de um filho fora do casamento não seria novidade mesmo num pais fortemente católico como o Paraguai, não fosse o fato de o presidente ser ainda do sacerdócio quando o bebe foi concebido.

Pobre Lugo, uma vez sob o celibato o fato nunca deveria ter acontecido. Eu sou catolica, mesmo não praticante e acho que a igreja teria outros problemas mais séios para ficar se preocupando. Existe um problema mundial nas igrejas e o Paraguai tem tambem os seus casos, que são os padres pedofólicos. Para mim não existe nada mais repugnante do que este crime contra almas inocentes. Me dá nauseas saber quantas crianças sofrem abusos dentro da propria igreja e ficam no silencio.

Me faz lembrar de um amigo, o Jose que era do Paraguai. Um rapaz tranquilo, atraente, educado e muito inteligente que conhecemos em Toquio. Depois que conhecemos uma de suas ex-namoradas ficamos sabendo que existia um lado muito obscuro no seu passado no Paraguai. Foi atraves dessa ex-namorada americana que ficamos sabendo do rancor que ele tinha pela igreja catolica, pela religião a qual sua mãe e suas irmãs eram tão devotas. Ele tinha sido um menino de altar por muito tempo e apesar de o termos conhecido hámuito tempo, ele nunca havia mencionado esse fato para nós e foi só através dessa namorada que ficamos sabendo. Bastaram estas palavras para entender de onde vinha o rancor que ele demonstrava entre quatro paredes e o trauma que ele tinha de manter intimidades com essa ex-namorada. Provavelmente ele nunca teve coragem de falar sobre os abusos com ninguém de sua familia pois ninguem o acreditaria e dai ele achou refúgio no Japão, um pais budista e sem vestigios da experiência que  o transtornara.

Voltando ao caso do sr. Lugo, o fato é que ele eventualmente largou o sacerdócio para entrar na politica. Embora seja somente minha interpretação,  porque não pensar que não foi o amor a politica que o fez sair da igreja? Mas o reconhecimento de que seus atos estavam ferindo os principios da igreja ? Não teria sido uma maneira de ele reconhecer que não poderia mais continuar traindo seus fiés ? De que ele proprio sabia que não tinha vocação ?

Para mudar de emprego numa era em que manter o seu proprio emprego é questão de vida-e-morte, ele optou por uma solução óbvia.Teria ele diploma de engenheiro ou medico ? Provavelmente não. Mas sendo pároco no entanto, ele estava acostumado a falar para multidões de fiéis, dar conselhos nos sermões de domingo, caminhar apertando mãos dos que o seguem. Soa familiar ? Sim, politico ! E politico precisa de diploma de faculdade ? Não.

Todos tem direito de errar. Sr. Lugo errou de profissão. Quantos não se enganam tambem ? Existem problemas maiores para os paraguaios se preocuparem. Espero que o sr. Lugo tenha a chance de mostrar aos seus ex-fiéis que ele tinha boas intenções e que uma de suas metas seja a de livrar a igreja desses abusos contra os menores, isto sim é um problema grave que só torna a sociedade cada vez mais doentia.

Publicado por: rivermom | abril 29, 2009

Coisa de Japones, serio

Estavamos numa recente viagem ao Japao recentement e como sempre, nos deparamos com “coisas estranhas” escritas em ingles. Tirei fotos destas 2 que estavam muito engraçadas.

everybody para japones

Erro de ortografia, o “everybody” que ficou “everybady” num very bad English.

a barra

Alem de outros erros na embalagem, o “Can use to er*ct too” varreu todas ! Essa barra parece fazer coisas incriveis ! (tsss)

Publicado por: rivermom | outubro 28, 2008

“plástico” que virou comida

Quando traços de melamina foram encontrados em comida de cachorro não dei muita importância pois não temos animais de estimação. Fiquei sim comovida por muitos deles terem perdido seus queridos animais que consideravam como seus prórios filhos. Me coloquei na posição de uma mãe que perde seu filho, sem conseguir perdoar aqueles que maldosamente colocaram a melamina por ganância.

Daí um ano se passou e descobriam melanina, desta vez em leite em pó infantil. Nas regiões pobres da China, pais, na esperança de que o leite em pó fosse mais nutriente que o leite de uma mãe já desnutrida, matou dezenas de crianças inocentes e deixou mais centenas com problemas de saude. Na China, onde o número de filhos élimitado a 1 por familia, o que será desses pais deixados agora sem herdeiros ? É fácil o governo dizer que abre excessão para estas familias, mas repor um filho que morreu por causa da irresponsabilidade e de ganância de outros, não deixa a matemática de 1 filho por familia errar mas o que será do coração dilacerado desses pais ? Foi um extermínio.

O problema do leite parecia um problema local. Longe da maioria dos consumidores do Ocidente e mesmo remoto para os paises vizinhos pois as mortes só foram identificadas nas regiões probres, deixou de ser local quando foi detectado melamina em leite nos supermercados de Hong Kong e Macau.

Foi a partir daí que noticias de melamina em outros produtos começaram a pipocar mundo a fora como uma enorme bola de neve. Toda semana eram descobertos traços do quimico em produtos novos e não só em produtos derivados do leite. Se antes o problema parecia alheio a nossa mesa de jantar, ele veio aos poucos invadindo o nosso dia-a-dia.

Como toda mãe e dona de casa que se preocupa antes de tudo com a saude e boa alimentação das crianças esse assunto firou paranóia. Parece já não haver mais um caminho seguro a seguir. Se hoje o ovo de frango é considerado “limpo”, será só questão de dias para eu abrir o jornal um dia e ver em letras grandes que “Melamina foi encontrada em ovo”. Depois vem o frango, o peixe, a carne bovina, a suína, legumes e a lista de produtos marcados com “melamina” será tão extensa que será impossivel achar algum produto alimentar que não o contenha ! E vão até começar a investigar as embalagens desses produtos, seja plástico, latas de alumínio… Melhor parar por ai, senão vão encontrar melamina até no ar que respiramos. Tudo vira suspeito.

Enquanto isso, na tranquilidade do nosso lar eu continuarei alimentando meus filhos com “plastico” (produto final que usa a melamina como matéia prima). Que tal plástico com gosto de “frango-a-milanesa” no almoço?  “Meu filho, coma o plastico com gosto de espinafre que vai deixar voce tão forte quanto o Popeye!”. Só que não nos devemos esquecer de dizer que o espinafre do Popeye era de verdade, não era feito de plástico !

Não será o “global warming” que irá destruir a humanidade, será a propria humanidade se auto-destruindo por causa da má qualidade da alimentação. As consequêcias são tão assustadoras, para começar, que a geração dos nossos filhos talvez nem possa sobreviver o tanto quanto nós. A realidade é que nós, de gerações pouco anteriores passamos nossa fase de crescimento comendo de uma forma mais saudável que nossos filhos. Não se falava ainda em “globalização” e os produtos que comíamos eram produzidos não muito além da área de consumo. Hoje essa globalização já está tão enrraizada no nosso dia-a-dia que voltar para trás é impossíel.

Eu, particularmente já venho perdendo as esperanças de que o mundo voltará ser o que era, a melamina veio para ficar. Deixaremos que os avanços da medicina nos ajudem algum dia a minimizar seus efeitos negativos no nosso organismo, é o mínimo que posso esperar.

Publicado por: rivermom | maio 4, 2008

Laos e o platô de Bolaven

Quando meu marido falou que tinha de ir a Laos a serviço, nāo pensei duas vezes. Vamos todos juntos ! Mesmo que a viagem seja só de 2 dias achei interessante irmos porque seria de carro. Teriamos a chance de passar por lugares que de avião jamais passariamos e as crianças ficariam a vontade.

Seria minha primeira visita a Laos embora sempre tivesse vontade de ir, desde os tempos de mochileira. Até então o único nome de cidade que eu sabia era a capital Vientiene. Desta vez nossa viagem foi para o sul, a 700 km da capital. Uma pequena cidade chamada PAKXE na base do platô de Bolaven.

Nossa viagem de carro começou em Khon Kaen, passando por Mukdahan onde pernoitamos num hotel da cidade, ambos no lado Tailandes.

O rio Mekong marca maior parte da fronteira entre Tailandia e Laos mas ao sul de Laos, o Mekong fica completamente situado no lado de Laos.

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