Publicado por: rivermom | dezembro 30, 2011

Tailândia também tem Natal de Cristão

Nestes mais de 20 anos fora do Brasil e principalmente, morando em paises budistas, só tenho visto o Natal como um evento puramente “comercializado”. Há muito colorido, iluminação, casais de namorados planejando noites românticas em hotéis de restaurantes de luxo como ocorre no Japão (e coitada de quem não tinha namorado!). Ou ficar atormentando meus ouvidos com músicas de Mariah Carey ou Celine Dion (sou democrática, há gostos para tudo, eu sei!)  mas tormento tem limite.

Aquí na Tailândia melhorou um pouco, apesar de o povo ser muito mais budista e o Natal ser puramente comercial também, o comércio não é tão agressivo quanto no Japão e as famílias festejam mais juntas, o que não deixa de ser o espírito Natalino. Há muitas escolas católicas ou cristãs de reputação e só num raio de 1 Km da minha casa posso contar 4 igrejas e talvez o templo mais próximo fique mesmo a 1 Km.

No entanto, para mim, quem frequentava estas igrejas são só os farangs (os estrangeiros) e talvez uns gatos pingados de tailandeses que foram educados no exterior. Acho que a maioria das igrejas no centro são assim mesmo.

Foi só este ano, após 9 anos de Tailândia que ouvi falar que havia comunidades inteiras de católicos tailandeses e que 95% da população celebra o Natal na cristandade. É na província de Sakon Nakhon, cuja capital tem o mesmo nome.

Um escritor de blogs de viagens na Tailândia, o Richard Barrow foi lá, num sub-distrito chamado Tha Rae (onde acredita-se que 100% dos habitantes sejam católicos) e postou um artigo interessante sobre a viagem.

http://www.thai-blogs.com/2011/12/25/celebrating-christmas-in-thailand/

Fiquei certamente com tanta curiosidade que estarei lá na próxima oportunidade e tentarei batizar meus filhos lá quem sabe, mesmo sabendo que a missa seja em Thai !

Para terminar, como eles dizem “Feliz Natal” em Thai,

May-ry Keet Madd!

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Publicado por: rivermom | abril 10, 2011

Atropelos de uma viagem

Alguma vez já aconteceu de você estar saindo de viagem, colocando as malas no carro e a mala quebrar ?

E que tal, você está a caminho do aeroporto e resolve por gasolina pois o tanque está só com 1/4 de combustível e o garoto do posto resolve colocar o combustível errado ? E agora, você está sem o carro pois se ligar a ignição estraga o motor e sabe-se lá quanto tempo vão levar para limparem o motor, não é?

Para nós nunca tinha acontecido nem um nem outro. Só que desta vez aconteceram os DOIS no mesmo dia, indo para a mesma viagem, as 5 da manhã !

As 4:30 da manhã, enquanto eu preparo os meninos para sair, ainda dormindo, meu marido resolve ir colocando as malas no carro. Numa viagem de 6 dias temos só uma malona para os 4. Quando ele vai por a mala no carro aquela barra que usamos para puxar a mala emperra e meu marido não consegue pô-la para dentro. Traz de novo pra casa e as pressas passamos todo o seu conteúdo para outras duas malas médias (oba, penso eu; sobra mais espaço, desculpa para poder fazer mais compras!).

Tudo no carro, meninos penteados e escovados mas ainda dormindo, vamos buscar o sogro na casa dele. Do lado da casa do sogro tem um posto de gasolina que meu marido resolve pedir parar pois só com 1/4 no tanque, corre-se o risco de não haver combustível quando voltarmos de viagem. Penso comigo mesma, que coisa, o motorista devia ter notado isso ontem e não o meu marido!

As 5 da manhã no posto, vejo a agulha do tanque subindo, passando da metade. De repente pára. Um outro rapaz tinha chegado e mandou logo parar. O garoto da nossa bomba era aprendiz e o rapaz que chegou percebeu logo um erro. O nosso carro usa disel e o garoto estava colocando benzina ! Lembro que quando chegamos no posto o motorista falou “disel” para o garoto. O garoto coitado, deveria estar trabalhando toda a madrugada, aprendiz, talvez não estivesse acostumado ao horário e muito menos sabe que modelos de carro usam que tipo de combustível.

Eu levei um tempo para entender o que estava acontecendo e foi só quando vi que estavam empurrando o carro para o lado do posto, com o motor desligado, que senti a gravidade do problema.

Não poderíamos usar o nosso carro para ir para o aeroporto !

Sorte, estavamos do lado da casa do sogro e pudemos trocar de carro. Passamos as malas para o carro do sogro e deixamos o nosso no posto. O motorista teria de ir la depois para resolver com o gerente do posto o que fazer. O gerente só ia chegar as 9 e até lá nada poderia ser feito.

Bom, contratempos a parte, chegamos no aeroporto a tempo e ainda pudemos passar pelo lounge para o café-da-manhã. Sim, bom que procuramos sair de casa com folga para o aeroporto, valeu a experiência !

Publicado por: rivermom | fevereiro 24, 2011

E o que é “giri-choco”

Sei que o assunto ja passou faz tempo, 14 de fevereiro foi dia de São Valentino. Mas quem é esse santo que nunca ouvi falar ? Pelo menos eu não o conhecia e nunca tinha ouvido falar nesse santo até eu sair do Brasil em meados dos anos 90. Parece que hoje ele já é mais conhecido no Brasil só não sei se a fama dele é tão forte quanto no exterior.

Pra quem é leigo como eu era, embora eu acredite que hoje em dia não exista mais quem não o conheça, ele é o padroeiro dos namorados. No Brasil temos o “Dia dos Namorados” e o “Dia de Santo Antônio”, e a existência desse outro santo parece ser irrelevante. O comércio é que deve idolatrar esse santo pois ele é mais um motivo para aquecer as vendas, porque não ?

Nos paises onde morei (e moro), Japão e Tailândia, por serem de maioria budista, não é celebrado o “Dia de Santo Antônio”, claro. Mas então porque celebrar o dia de um outro santo, o São Valentino ? No Brasil o Dia dos Namorados como todos conhecem é dia 12 de junho e esse dia parece ter sido “inventado” por comerciantes paulistas que plagearam o “Valentine’s Day” dos americanos. Engraçado que eles não criaram o Dia de São Valentino como todo o resto do mundo no dia 14 de fevereiro. No entando criaram uma data completamente fictícia para representar o Dia dos Namorados exatamente na véspera do Dia de Santo Antônio.

Japão, Tailândia, países predominantemente budistas celebram essa data de “San Valentine’s Day” do mesmo jeito que celebram o Natal, puro comércio. E para a dor de cabeça de muitos pais de adolecentes, o dia que as “filhas donzelas” resolvem passar uma noite especial com os namorados. Na Tailândia, numa pesquisa entre adolecentes descobriu-se que o numero de adolecentes virgens diminui após este dia.

No Japão a propaganda dos hotéis é tão grande nessa época para atrair casais que parece um crime se você e seu namorado não passam a noite juntos.

Bom, mas esse não é o ponto. Para mim foram os chocolates que me incomodavam. No Japão existe a tradição de que as mulheres devem dar chocolate para os homens.

Embora já tenha visto mulheres receberem chocolates de mulheres se elas são muito amigas e provavelmente sem namorados, não me recordo de ter visto isso entre homens (a menos que… ^o^)

Trocar presentes com o namorado e passar uma noite romântica é muito natural e quem não gosta, não é mesmo ? Até acho que nem deveria ter data pré-definida para isso. Cada casal deveria ser livre para celebrar sua “data especial”, e mais de uma vez por ano, se me permitem. Mas no Japão esses chocolates não são apenas das mulheres para os seus namorados.

Esse chocolates do Valentine’s Day, principalmente os do Japão onde morei por 12 anos é que foram a coisa mais ridícula que poderiam ter inventado.

Se uma menina quer surpreender um paquera com um chocolate em forma de coração que ela mesma confeccionou para declarar sua paixão é uma coisa. Mas comprar chocolate para distribuir entre os colegas de trabalho e de escola é outro. Isso inclui até colegas que você nem é muito chegada mas que você acaba entregando para não ficar mal na frente dos outros. E aquele que os japoneses chamam de “giri-choco”, ou o “chocolate forçado”, aquele que você tem de dar para o seu chefe e é sua obrigação. Você nem é chegada, nem amiga, mas ele é o seu chefe de trabalho e se voce não aparecer na frente da mesa dele com o seu “giri choco” nesse dia vai pegar muito mal, muitíssimo mal !

Vá ao banheiro e na frente do espelho ensaie aquele *sorriso* duro se você não está acostumada a sorrir para ele antes de ir cumprimentá-lo. O chefe também vai encenar a parte dele e aceitar o seu chocolate porque quer chegar em casa e mostrar para a famíllia o quanto ele é querido pelos seus subordinados (mesmo que a familia saiba que o chocolate não passe de um mero “giri-choco”). Sim, o Valentine’s Day serve para medir a popularidade dos homens entre as mulheres. E coitado daquele que chega em casa sem nenhum, que vexame !

Chega-se ao cúmulo de os “giri-choco” já virem em embalagens diferentes e serem vendidos com o emblema de “giri-choco” mesmo. Ta certo, tem mulher que realmente quer mostrar simpatia ao chefe e compra aqueles mais caros e de marcas famosas. A mulher do chefe vai tirar isso de duas maneiras, ou o marido é realmente respeitado ou tem coisa ai…

E o Japão não parou ai, criou o “White Day” que é o dia em que os homens terão de retribuir o presente do Valentine’s Day para as mulheres e é celebrado no dia 14 de março. Geralmente o retorno não é o chocolate, embora o sentido do “white day” tenha sido originalmente o retorno com o chocolate branco de leite. Note-se que o presente do “White Day” deve ser equivalente ou maior que o valor do chocolate recebido. Com excessão do “giri-choco” talvez a regra deva ser, “retribua 3 vezes o valor”. No caso de casais de namorados, as mulheres geralmente esperam ganhar jóias ou lingerie e o que mais as deixe felizes…

Além do Japão o “White Day” parece ser celebrado na Coréia, China e Taiwan também. Não sei se esse costume chegou aqui na Tailândia ainda mas se ainda não, tenho certeza de que não levará muito tempo para esse costume se alastrar pelos outros países da ásia afinal tudo é em nome do comércio, não é mesmo ?

Pelo menos aqui ainda não existe o giri-choco e espero que este nunca passe as fronteiras do Japão !

Publicado por: rivermom | fevereiro 12, 2011

Macau, nosso “primo” distante

Nascida de pais orientais e criada no Brasil, as culturas oriental e ocidental sempre estiveram mescladas na minha vida. Como certos costumes que tivemos em casa, até hoje não sei se eram costumes brasileiros ou japoneses. Por exemplo, quando caiu o primeiro dente-de-leite do Niko falei pra ele que tinhamos de jogá-lo no telhado de casa que é o que fazíamos em casa mas fiquei sem saber se esse era um costume que minha mãe aprendeu no Brasil ou se ela trouxe do Japão. Até hoje ainda tenho essa dúvida, mas deixa pra lá, acabei que deixando o dentinho numa caixinha dentro da minha gaveta pois como moramos num prédio de 38 andares, não tem como alcançarmos o telhado !

Foram esses e muitos outros costumes, além de palavras de vocabulário do nosso dia-a-dia e o mais importante, a culinária que resultaram no que sou hoje e que agora passo aos meus filhos. Enriquecemos nossa cultura com a cultura chinesa do meu marido e a cultura do país onde emoramos, Tailândia.

Lembro-me de uma amiga que veio brincar comigo em casa e minha mãe estava na cozinha hidratando algas seca.  Essa amiga pulou de susto ao ver aquela coisa estranha, preta, parecendo papel (ou bicho?) amolecido em água e o que a chocou, é que aquilo era parte da nossa janta ! Bom, essa amiga não ficou para a janta, claro, rsss.

Morávamos numa cidade onde a densidade de orientais era bem menor comparada a São Paulo ou Curitiba por isso era comum ter essa reação das pessoas. Meu pai tomava sakê com os amigos sempre que alguém trazia uma garrafa pra ele do Japão, meus pais comiam de pauzinho, falavam aquela língua estranha, muitas vezes misturada com o português que os meus amigos achavam engraçado. Minha avó falava “geradeira” mas chorava assistindo a novela das 7 como qualquer outra dona-de-casa. Éramos um pouco do oriente no meio do ocidente, estranho ?

Depois que vim morar na Ásia para mim foi muito curioso ver o oposto, o ocidente no oriente, ainda mais português, isso mesmo. Como está na história, o Brasil foi colônia de Portugal assim como muitos outros lugares na Ásia. Esses lugares, para nós tão distantes, são nossos “primos” pois recebemos as mesmas heranças culturais trazidas pelos colonizadores Portugueses.

Quão não foi minha surpresa ao visitar Málaca na Malásia e conversar com um octagenário chamado Pedro ? Isso mesmo, o velhinho se chamava Pedro mas estava vestindo um “sarongue”. O sobrenome ? Esquecí de perguntar, mas poderia ter sido Cintra ou Alcântra ? E assim como ele, tinha o Manuel, o João, o Sebastião da esquina…  Conversando um pouco com ele, falei que vim do Brasil e que tínhamos sido colonizados pelos mesmos “patrões”.  Ele conversava um inglês básico e nossa conversa não durou muito embora ele dissesse que quando era menino só falava português. Um outro amigo brasileiro teve mais sorte que eu, quando mencionou que foi parar em Málaca vindo de avião o Pedro respondeu, “Ah, navio que avoa !“, isso mesmo, ele falou em português??? Fiquei pensando que esta talvez seria a maneira como  Camões descreveria “avião” nos Lusíadas.

Se o português estivesse vivo ainda em Málaca, este seria o português congelado no tempo, de 500-600 anos atrás e foi como uma viagem no tempo conversar com o Pedro e ouvir dele outras palavras em português que ele conhecia, um português que talvez já nem mais exista em Portugal.

Assim como existe o Pedro,  há outros descendentes dos Portugueses na Ásia que mantem na sua língua nativa traços do português dos colonizadores, assim também como a cultura, as tradições, culinária e religião.

Em Macau, como a autonomia dos portugueses durou até mais recentemente a presença da língua é muito mais forte. A cozinha de Macau é basicamente a cozinha portuguesa adaptada. Para mim é simplesmente uma cidade fascinante. Cada esquina, cada quarteirão, cada rua, cada travessa, não páro de compará-la a certas cidades históricas do Brasil como Tiradentes em Minas por exemplo. As sacadas coloniais, as pracinhas, os bebedouros antigos, as ruas de paralelepípedos. Cheiro de bacalhau, de caquinha de caranguejo… Acho que só faltou mesmo a música, os sons. Mas como Macau é Ásia, não falta o sabor oriental em cada coisa e me divirto lendo as placas escritas em português. Para os meus pais que visitaram Macau ano passado, o mais divertido foi ler os nomes das ruas escrito em chinês pois como eles leem japonês e os caracteres são semelhantes com o do chinês eles viram que a fonética era bem próxima de como se pronunciaria em português.

Rua de São Paulo

Carpintaria

Correios

macau-nome-de-rua

Ôpa, falou em pagode ? Onde ?

Feliz Natal ! Xìe Xìe !

Os portugueses de Macau são para mim o maior exemplo de como culturas diferentes podem se mesclar harmonicamente, preservando os charmes de cada uma. E foi com um prazer imenso que lí este artigo no jornal outro dia:

“Uma mistura bem distinta que sobrevive num canto da China”

(Distinct Mix Holds On in a Corner of China é o título original em Inglês)

O artigo fala que em Macau os imigrantes e seus descendentes formaram um dialeto próprio, uma mistura de português arcaico de Portugal, malaio da Malásia, cantonês de Hong Kong e até do tailandês ? Essa língua chama-se o Patuá macanense e está quase em extinção mas quem sabe nós a ajudemos sobreviver por mais um pouco. Falo assim porque fiquei com uma curiosidade imensa de ouvir o Patuá e me atreveria a prender também. Na verdade aquí em casa temos o nosso “Patuá” próprio que vem da nossa mistura de português, cantonês, tailandês, japonês e inglês.

E para completar nossa homenagem a Macau, vou falar de uma concidência muito legal.

Quando o Niko nasceu e os avós paternos resolveram que queriam dar um nome chinês a ele o avô consultou um astrólogo chinês para decidir que caracter ou diagrama chinês o nome deveria ter. E não é que o caracter escolhido se referencia a Macau ? Para desagrado da minha sogrinha que  ainda mesmo depois de 6 anos insiste que deveriamos trocar o nome.  Para muitos da geração dela tudo que vinha de Macau era profano, era a terra dos boêmios, do jogo, das prostitutas, uma repugnância para as donzelas da sociedade de Hong Kong e ela acha esse nome impróprio para o neto, o primeiro ainda.

Como nem meu sogro nem meu marido concordaram com ela o nome dele ficou como nossa homenagem a diversidade cultural de Macau.


 

Publicado por: rivermom | fevereiro 9, 2011

Cartas, maldita invençāo !

Desculpa, não estou falando em cartas, aquelas que a gente leva um tempão para escrever a mão ultimamente desde que tudo virou mais fácil com os computadores, cá entre nós sinto falta delas…

Mas falando do assunto que me deixou como um vulcão explodindo de cabeça quente, estas malditas cartas são as cartas que as crianças gostam de brincar. Outro dia foram as cartas do Ben 10, hoje foram as cartas do DinoMaster e amanhã sabe lá do que será. Oh, maldita BANDAI (fabricante de brinquedos e dessas cartas).

Lembro que quando criança a gente trocava figurinhas, comprava na banca um envelopinho de 3 ou 5 e aí saia trocando as repetidas até encher o álbum. No meu tempo não tinha cartas, ou será que tinha mas era só coisa de menino ? Meu marido disse que colecionava cartas de jogadores de baseball nos EUA mas nós no Brasil não tínhamos cartas de jogadores de futebol, será que tinha ?

Hoje em dia são esses caracteres de TV que enchem nossa casa de supérfulos e brinquedos inúteis. Mesmo que os pais não comprem tem sempre as tias e os tios, fora os avos querendo agradar… Bom, um dia vai tudo pra caridade mesmo por isso não dou de mãe chata e deixo o pessoal dar o que quiser…

Já ví os meus meninos brigarem por brinquedo e isso o fazem o tempo todo mas nunca tinha visto os 2 brigarem por uma coisa por tão tanto tempo e nem com tanta feracidade. Me assutou ver o meu pequeno Rafa virar uma onça atacando o Niko com todas as garras, puxando e até querendo esmagar o pescoço por causa de umas cartas, um pedaço de papelão, acreditem ! As vezes ele ficava tranquilo mas na moita, só esperando o momento certo de atacar e pumba, explodia naquele momento uma guerra de tamanho e intensidade que faria até os EUA desistir de atacar com medo do retorno.

O Niko não atacava tão intensamente mas tinhas suas técnicas de esconder o “material bélico”. Logo o Rafa, com um radar mais esperto descobria  o esconderijo e atacava de súbito enquanto o Niko estava no banho ou brincando distraidamente com outra coisa. E eu pensava que o Rafa já estava com pensamento em outras coisas, que nada, ele se fazia de desligado somente. O Niko talvez já até tinha se esquecido do esconderijo mas foi só ver o inimigo se aproximar do esconderijo que ele ia se defender.

Dois animais irracionais, isso sim, e tudo por causa destas cartas !

Começou que eles insistiram que queriam as cartas do Ben 10 que todos os amiguinhos tinham. Acabei comprando 1 caixa, assim eles poderiam brincar do jeito que eu brincava, trocando as que não tinham com os amigos. Esperava que eles pudessem dividir as cartas da primeira caixa. Que nada, as cartas tinham numeros e codigos dizendo quais as que valiam mais e os dois queriam as cartas mais forte, por que não ? E a briga começou na hora de dividir o bolo.

Por dois dias eu resistí, mesmo tendo de ouvir os gritos de guerra de cada lado. Até que dois dias depois eu desistí, fui comprar mais uma caixa dessas cartas, assim ficaria uma caixa para cada um.

Quem disse que ganhei paz com isso ? Muito pelo contrário, a guerra triplicou pois cada caixa tem cartas diferentes e eles continuaram brigando pelas cartas mais fortes. No final as caixas ficaram completamente misturadas e já não se sabia de quem era o bolo.

Dois dias depois que cada um ganhou uma caixa veio a paz. Não que eles encontraram a solução, mas porque ambos perderam o interesse ! Eu passava a vassoura por cima das cartas no chão ameaçando jogá-la no lixo e ninguém vinha reclamar ! Que insulto, e eu paguei uma nota por cada caixa !

Ontem o Niko voltou pra casa feliz da vida. Um amigo tinha dado pra ele um bolo de cartas, não do Ben 10, agora era a do DinoMaster (não me perguntem o que é). Aparentemente os amiguinhos do Rafa tambem tem mas ninguém foi generoso com ele a ponto de dar pra ele as cartas. O Niko, feliz, esbanjava as cartas do DinoMaster e o Rafa pediu pra ver mas o Niko nem deixou ele tocá-las com medo de não serem devolvidas. E com razão, duvido que o Rafa fosse mesmo devolvê-las !

“Se não quer dividir não mostra !”, adiantava eu falar ?

E assim começou mais uma batalha, agora a do DinoMaster. Hoje, o segundo dia da batalha já começou bem cedo, antes de irem para a escolinha. Foi só o Rafa ver que o Niko colocou na bolsa da escola. Não tardou muito o Rafa encontrou um meio de “roubar” da bolsa do irmão. Assim, antes de sair de casa para a escola meu dia de paz já tinha terminado…

Sei que quando eles voltarem da escola hoje a batalha continua. Mas desta vez não vão mais me enganar. Não compro nenhuma caixa de cartas. Se uma não resolveu e depois duas também não resolveram, melhor que não tenham nenhuma ! E se continuarem a brigar pelas cartas que o Niko ganhou do amiguinho ele vai ter de devolvê-las, ou pelo menos elas NÃO entram em casa !

Com isso espero ter aprendido a lição. Bom, pelo menos EU acho que aprendí.

Publicado por: rivermom | fevereiro 7, 2011

Filhos, incontroláveis

Já faz algum tempo os “tantruns” (birra de criança) do Rafa deixaram de ser passageiros e já faz um bom tempo que  aquela crise do “terrible two’s” já deveria ter passado, pelo menos eu tentei ser positiva pensando que isso poderia se alongar até os 5 ano, mas já são 5 e meio e a cada dia só piora !

Birra de criança é só birra mesmo, chora, faz escândalo, esperneia, deixa todo mundo com dores de ouvido e pronto, acabou. O que acontece agora com o Rafa é que ele não dá braço a torcer mesmo quando os argumentos dele são completamente sem sentido. Nunca está satisfeito com nada, quer tudo. E quando tem tudo ainda quer mais e mais. Não se satisfaz até conseguir o que quer, do jeito que quer. Argumenta isso e aquilo, e se negocia, sempre tem de tomar a vantagem, é claro. Responde e como responde, “ô boquinha mardita” essa do moleque !

Não adianta gritar com ele, quanto mais gritamos mais ele grita de volta e é uma escalada sem fim. Bater? Não, nem adianta tentar pois sei que só vai sobrar pra mim. Fazer ele falar “desculpa” com sinceridade? Ele pode estar em prantos, é capaz de ficar de joelhos na sua frente e dizer que está arrependido, com as mãos juntinhas ele jura que entendeu. Você se comove, até o Niko fala pra mãe parar de brigar com o irmão. Mas a sinceridade dele só dura 5 minutos e logo depois lá vai ele atrás do cachoro pra puxar o rabo dele de novo.

Falar em “share”, dividir brinquedos e aguardar a vez pra brincar com o iPad por exemplo, impossivel. Ele vai buscar meios de controlar a situação para ser favorável a ele somente. Se não, que ele consiga pelo menos a melhor posição para ver os outros jogarem mesmo que isso atrapalhe a visão de quem tem a vez de jogar!

Usar “chantagem” foi um erro. Eu sabia que isso não seria bom futuramente mas no momento em que a situação necessitava uma solução rápida e eficiente eu tinha de usá-la.

“Você quer o carrinho de polícia que vimos na loja ontem? Então dá a vez para o Niko agora”.

“Devolve o brinquedo do menino agora mesmo e vamos lá comprar sorvete!”.

Muitas vezes eu me sentia aliviada de muitos ao meu redor não entenderem português pois se descobrissem que eu estava chantageando o Rafa para fazer ele me obedecer, certamente EU é que acabaria sendo reprimida.

Até que um dia, um tio de origem chinêsa que mora na Suiça e domina muitas linguas européias captou e falou :

“E você acha que está ganhando alguma coisa com isso?”

Sim, pegou em cheio. Ele também, pai de 2 filhos agora adolecentes já passou por isso e sabe do que está falando.

“Eu sei, tem situações em que é inevitável”, ele completou.

Ainda bem que ele deixou por isso e não me entregou para ninguém da familia do meu marido…

“Você faz isso por amor”, ainda me consolou.

Chantagem também acaba virando um vício e como todo vício, estava chegando a um ponto incontrolável pois parecia que a cada vez que eu negociava alguma coisa eu sempre perdia.

Passei depois para chantagem emocional mas isso também acabou virando contra mim mesma em mais um episódio recente.

Ontem levamos as crianças no golfe, segundo dia de treino. Se no primeiro dia o Rafa não quis largar o taco de golfe por 2 horas, ontem só bastou 30 minutos para ele desisir e dizer que não queria mais. Foi só o treinador vir e começar a dar instruções disso e aquilo que ele decidiu que não tinha mais graça ficar ouvindo ordens. Ele gosta de bater na bola, não importa como, desde que a bola vá longe e ele consegiu isso jogando com o taco errado e até com a mão, então pra que ficar ouvindo o bla-bla-bla do treinador ?

“Você não quer me ver feliz ? Eu não estou feliz fazendo golfe”, foi o argumento do Rafa.

E isso foi um argumento que eu tinha usado outro dia.

Estavamos indo para o Funarium, um playground coberto que as crianças adoram ir  com escorregadores gigantes, pista de bicicleta e campo de futebol. Eles estavam bem excitados mas desde do café-da- manhã que o Rafa não parava de comprar briga tanto comigo quanto com o Niko.

“Eu quero 4 torradas porque você só me deu 2?” (os outros 2 ainda estavam na torradeira) e se recusou a sentar na mesa.

“Eu não quero pôr essa roupa, quero a do Ben 10!”. Foi lá puxar a roupa que gostava, tudo bem, não insistí.

“Não quero por meia, quero ir de chinelo!” (mas sem meia não pode brincar no Funarium e haja paciência para convencê-lo. Acabei deixando ele ir do jeito que queria e levei a meia dele na minha bolsa).

E antes de sair ainda ficou implicando com o Niko com coisas que não tinham nada a ver, como o livro de pintar do Niko que ele resolveu arrancar umas folhas. E mesmo na hora de sairmos da porta de casa ele ainda resolve sair correndo com um lado do sapato do Niko enquanto o Niko calçava o outro. Pra que ? Só pra nos atrasar, pior até pra ele ! E o Niko, para me irritar mais ainda chora e reclama do Rafa e enquanto eu não der uma dura no Rafa ele não pára de implicar com o Rafa também, só piorando a situação. Se eu fosse o Niko tentaria ignorar o Rafa e as provocações dele pois é isso que ele quer, provocar todo mundo, deixar todos irritados, testar nossa paciência.

Chegamos finalmente ao Funarium 2 horas depois.

“Tá vendo, era pra gente ter chegado aquí as 10 e só chegamos as 12 mas temos de ir embora as 2 e vocês agora só tem 2horas pra brincar, quem mandou ficarem brigando tanto em casa por bobagens ?”

O Niko começou então a chorar,

“Foi o Rafa que ficou implicando, buah, buah !”

O Rafa por sua vez,

“Mamãe não pode falar assim!” e eu é que acabei levando a bronca !?!?!?

E foi a hora de me defender:

“Eu faço isso e aquilo pra vocês ficarem felizes, passarem um final de semana legal, divertido, e o que vocês fazem ? So brigam ! Assim eu perco a vontade de sair de casa porque quando entramos no carro todos estavamos de caras emburradas sem falar um com o outro, até parecia que íamos a um funeral e não a um passeio!”.

Agora no golfe o Rafa estava usando o meu argumento contra mim, dizer que não estava feliz no golfe e se eu quizesse vê-lo feliz que eu não deveria forçá-lo.

Se ele realmente gosta ou não gosta de golfe, não sei. Antes disso é paciência, ele não gosta de seguir regras e viu que havia um grupo de crianças gritando e correndo no gramado de trás, ele estava louco para se juntar ao grupo.

Uma coisa semelhante aconteceu no futebol da semana passada. O Niko seguiu o treino até o final mesmo sabendo que não é dos melhores, que sofre por ser “pequeno” e por não ser muito entrosado ainda no grupo. O Rafa, após 30 minutos saiu do campo dizendo que estava com fome. Dei uns biscoitinhos e milo para tomar. Voltou ao campo por mais 2 minutos e depois disse que estava cansado sem ao menos ter pego na bola. Disse que voltaria ao campo depois de tomar um gole de Gatorade. Tomou e não voltou ao campo, disse que estava sem energia e assim ficou até o ultimo apito do treino. Achei que eles estava realmente cansado e que talvez merecese um descanso. Mas não foi isso que ele mostrou no carro na volta, cansasso, só se ele deixou no campo de futebol, bem enterradinho debaixo do gramado !

Esse comportamento, de recusar a fazer as coisas está só se agravando. Dizer que está cansado ou com fome no futebol deu certo e ele usou o mesmo argumento no golfe uma semana depois. Não sei o que o fez perder interesse por tudo estes dias.

Não é que ele não goste de futebol ou de golfe. Chutar bola de futebol em casa é com ele mesmo, usar o taco de golfe em casa pra bater nas almofadas foi idéia de quem mesmo ? Só não gosta de ter de seguir ordens, não gosta de se concentrar em uma tarefa só por muito tempo, não quer ouvir ninguém.

Os americanos com certeza teriam um nome para esse comportamento e como eles gostam do nome de “sindrome” , deixe-me nomear este como a “Sindrome do iPad”. Sim, uma realidade triste e desapontadora,  o iPad parece ser a única coisa que consegue manter a concentração do Rafa. Ele desafia a ele mesmo só para conseguir a posse do iPad.

Ontem ele nos surpreendeu  durante o jantar. Tinhamos esquecido de levar os “pauzinhos” de plástico (chopsticks para crianças) para o restaurante chinês e ele fez a maior birra por causa disso. Incomodou a platéia de outras 11 pessoas ao redor da mesa com gritos e a teimosia só dele, até que falei que ele teria o iPad se conseguisse comer com os “pauzinhos” dos adultos (mais um cartão amarelo para a mamãe por ter usado a chantagem!). E não é que ele tentou usar os pauzinhos e conseguiu ? Orgulhoso e feliz da vida foi exigir a posse do iPad.

Se estou escrevendo isso tudo agora não é para agradecer ao iPad, é para tentar me livrar dele. Não quero meu filho sendo controlado por ele, iPad. Como ganhar autoridade, ou pelo menos conversar com meu filho de igual para igual, de mãe-para-filho sem o iPad no meio ? Será que já perdi a batalha  pois comecei errado ?

Sei, cada filho tem uma personalidade diferente e tenho de me dar com cada um de acordo. O que funciona com o Niko não funciona com o Rafa.  Com o Niko as respostas sempre foram mais diretas. Dizer para ele que comer cenoura é bom porque tem vitamina A que é bom para os olhos ele acredita em você e come cenoura mesmo que não goste pois ele detesta a idéia de ter de usar óculos.

O Rafa não iria nunca me ouvir e quando ele tivesse de usar óculos ele ainda iria ficar com raiva de mim por não te-lo prevenido antes.

“Eu preveni!” (e só não usei chicotada para convencê-lo porque não tinha!), diria eu.

“Sim, mas você não insistiu !”, seria a resposta crua dele.

“Foi muito iPad, tá vendo ?”, talvez o deboche do Niko.

O certo é que agora estamos tentando ver o que tem causado esse temperamento no Rafa. Esse comportamento não mudou da noite para o dia e deve ter uma causa mais profunda que deixamos passar. Frustrações talvez ? Rivalidade entre irmãos ? Coisas na escola ? O certo é, ele está com dificuldades de lhe dar com o próprio sentimento de rancor e passa isso para nós.

Publicado por: rivermom | janeiro 31, 2011

Ano Novo Chinês

Uma amiga brasileira em Bangkok me ligou essa manhã para pedir um conselho. Tinha sido convidada para um jantar no Ano Novo Chinês na casa de uma familia prominente tailandesa e queria saber o que levar.

Me pegou de surpresa pois nem mesmo eu ainda estou completamente preparada. Essa é uma tradição que tenho aprendido na prática mesmo, vendo como os outros fazem, vendo o que nós ganhamos e vendo como os outros retribuem.

Meu marido, mesmo sendo de uma família chinesa disse nunca ter prestado muita atenção nos detalhes e só se lembra mesmo dos envelopes vermelhos que recebia dos adultos quando era criança e de como sempre aguardava com ansiedade a chegada dos parentes nessa época. Mas a situação agora é diferente, é ele quem deve dar os envelopes !

Parece que cada país tem seu jeito peculiar, suas tradições, provavelmente adaptadas e mescladas com a cultura do país adotivo, no nosso caso a Tailândia.

Falei para minha amiga somente das duas coisas mais básicas, talvez o mínimo para ser polido e não fazer gafes.

1) Envelopes vermelhos ou angpao

O que tem nesses envelopes ? Claro, dinheiro. O valor realmente depende e varia muito. Pode ser entre membros da mesma família sendo dos mais velhos para os mais novos ou de patrão para empregado. Na sociedade dever visto de forma hierárquica vindo de cima para baixo, ou entre quem tem maior poder econômico para quem tem menos.

Os pais dão para os seus filhos, e estes receberão dos outros tios e tias. Em retorno os pais terão de dar para os filhos dos tios (os sobrinhos) também em quantidade maior ou ao menos igual. Eu particularmente não fico tomando nota de quem deu quanto, quem deu mais ou quem deu menos, o importante é o ritual e o  que isso representa.  Mas minha sogra, como a raiz superior na árvore da nossa família me pergunta quanto fulano deu pois ela precisa de parâmetros para no próximo ano: não passar vexame de ter dado muito pouco e nem de ter dado de mais e deixado outros constrangidos. Ás vezes parece ser tão delicado que me pergunto se tudo vale a pena, vamos todos esquecer dos envelopes vermelhos, ninguém recebe e ninguém dá! Mas é como passar o Natal sem presente, imagina que tristeza ?

Se somos convidados para um jantar de ano novo devemos ir preparados com envelopes para os filhos dos anfitriões e outros convidados conhecidos. Sempre traga uns a mais para casos de emergência, alguém que você não esperava aparece com envelopes para os seus filhos e se você não retribuir para os filhos dessa pessoa você poderá estar ganhando uma antipatia de graça. E por favor, não repasse dinheiro de um envelope que deram para o seu filho para um outro envelope que você vai dar! Mesmo que ninguém perceba sua gafe você pode se sentir mal, pelo menos eu ficaria com sentimento de culpa de pensar que isso pode me trazer azar durante o ano inteiro, quer dizer, dinheiro que vem vai e não pára no meu bolso…

Se possível vá ao banco e retire notas novinhas em folha. Os bancos já estão preparados para essa época e nem perguntam para que você precisa de tanta nota nova quentinha saída da impressora. E imagina a decepção de quem abrir o envelope e tirar uma nota caindo aos pedaços por mais que seja um notão de 1000B$!

2) Quatro bergamotas (bem alaranjadas)

Esse costume de dar 4 parece ser só na Tailândia. São dadas ao superiores e representa uma forma de respeito. Supermercados e feiras vendem as 4 bergamotas bem alaranjadas em embalagens propriamente decoradas para a ocasião. Como essas 4 só representam um símbolo você pode adicionar uma caixa ou uma dúzia em embalagens a parte.

Tradicionalmente a pessoa que recebe as 4 laranjas irá cobrir 2 das bergamotas com um lenço e trocá-las por mais duas bergamotas novas e dar de volta para você. Eu particularmente nunca ví isso mas parece ser a forma tradicional. O que eu sei é que eu sempre volto para casa com mais bergamotas que quando saí de casa e isso é uma coisa que eu ainda não consegui balancear !

As bergamotas laranjadas representam “boa sorte” e a troca de bergamotas significa troca de  benções.

Envelope vermelho com a cestinha de 4 bergamotas

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Com certeza sabendo desses dois você não passa por constrangimento algum. E por garantia, deixe tudo preparado até  um dia antes da véspera do ano novo pois as filas nas lojas quadruplica nos últimos dias e lojas de estabelecimento pequenas até fecham as portas mais cedo.

Como etiqueta para um jantar ou banquete chinês, seja na casa do anfitrião ou em algum restaurante, não vá de preto e muito menos de branco. Isso até vale mesmo para quando não é ano novo, pois o preto e o branco são usados em funerais. No entanto muitos dos jovens simplesmente resolvem ignorar essa etiqueta porque associam o preto ao sofisticado mas na presença de pessoas mais idosas eu tentaria evitar estas cores.

Tanto a troca de  envelopes e bergamotas no ano novo não é só para festas e jantares. Preparamos nossos envelopes para as zeladoras e mulheres da cantina da escolinha das crianças, assim como os zeladores, guardas de segurança do prédio onde moramos, seguranças e as zeladoras do escritório do meu marido, empregada, motorista, até as garçonetas do restaurante que vamos sempre, sempre receberam o envelope além da gorjeta. As bergamotas vão para os gerentes da empresa do meu marido, algumas “tias” tailandesas que fazem parte da nossa grande família e amigos dos meus sogros. Só sei que é um tal de negócio de dar de um lado, recebe de outro que parece não acabar. Temos bergamotas para umas 2 semanas mas  é um prazer que comecei a gostar nestes últimos anos e aprendi dessa maneira que dividindo multiplicamos.

Para nós, que seguimos a tradição chinesa de Hong Kong, no manhã do ano novo devemos ir com as crianças na casa dos meus sogros servir chá chinês. Se os avós do meu marido estivessem vivos teríamos de ir na casa deles também. É como pedir benção dos pais,  servimos os chá dando 3 voltinhas no sentido horário na xícara antes de passar para eles e eles, antes de tomar também dão mais 3 voltinhas na xícara. Depois disso é a vez das nossas crianças e quando terminamos todos recebemos a benção junto com o envelope vermelho.

Embora a tradição do envelope ainda parece resistir entre os imigrantes Chineses em outros continentes a tradição do chá parece estar sumindo. Dos 4 irmãos do meu marido só ele continua a tradição. Talvez por ser o mais velho e porque ele quer que os filhos dele aprendam um pouco da cultura chinesa enquanto os avós ainda estão vivos.

No Japão existe um envelope vermelho chamado de otoshidama e que é dado para as crianças também no ano novo. A tradição é bem semelhante embora a maioria já não parece mais praticá-la e está mais restrita aos avós para presentear aos netos.

Ah, e como fazer o cumprimento ?

Em vez do wei tailandes com as duas mãos juntas e palmas abertas, junte as mãos mas de punhos fechados, um embrulhando a outro.

Um Feliz Ano Novo Chinês a todos,

“Kung Hei Fat Choi”

e bem vindos ao ano do coelho !

Como curiosidade, no Vietnã eles trocaram o coelho do ano lunar chinês para o ano do gato porque a pronúncia de “coelho” na língua deles soava alguma coisa muito ruim. Hoje na Tailândia, como há muitos donos de gatos de estimação há os que preferem aderir ao ano do gato também.

Publicado por: rivermom | janeiro 26, 2011

Manter a forma em casa

Não é que eu queira fugir do gym, gosto de suar na esteira ou na bicicleta mas como dona-de-casa queremos coisas mais eficientes e práticas. Meu marido reclama que é preguiça e pode ser mas poxa, quero tempo pra fazer internet também e se for no gym esse tempo fica muitissio limitado (é o twitter, o  facebook, blogs, e-mails, fora as noticias que leio online e tudo o mais).

Aliás nem é muito tempo pois geralmente vou ao super-mercado antes de ir pegar as crianças na escolinha e depois que as crianças estão em casa só dá tempo de preparar a janta e o resto do tempo tento passar com eles.

Há uns 2 anos atrás vi  uma amiga fazendo alongamento das batatas da perna num apetrecho que me chamou a atenção pela simplicidade e pela rusticidade.

Alongamento da batata-da-perna, e puxa mesmo !

Bom, parece simples mas na primeira tentativa não consegui ficar em pé nele nem por 10 segundos ! Depois de uns 3 dias ja deu para encarar o alongamento por pouco mais de uns 5 minutos. Depois meu marido começou a reclamar que o trombolho atrapalhava na sala e até na cozinha e o deixou no quarto de hóspedes. Desde então já não o uso. Também quando é que eu vou naquele quarto ? Muito raramente e quando vou é só para pegar alguma coisa rápida dos armários. Na cozinha eu usava enquanto esperava a água ferver ou na sala enquanto os meninos brincavam e eu ficava perto para conversar com eles.

Mas o aparelho, apesar de simples foi eficiente e logo vi o quanto da musculatura da parte de trás da perna tinha se alongado depois de uns dias. Doía sim mas com o passar do tempo passou a ser uma dorzinha suportável e via que podia até ir esticando um pouco mais. Ajudava também nas dores lombares já que a perna contraída limita a flexibilidade dos quadris e da cintura. Sim, foi uma pena deixá-lo enconstado. Sinto que vou recuperá-lo e o colocar do lado do meu lado da cama, assim meu marido não precisa se esbarrar nele e também fica longe das crianças.

O que me motivou a escrever no blog desta vez não foi na verdade este aparelho, mais uma brincadeira que começou na escolinha das crianças. Quando fui na escolinha buscar os meninos um dia, vi meninos e meninas da turma do Niko (pré-primário) em fila esperando a vez. E a fila era para nada menos que para rodar um bambolê. Era um bambolê pesado e grande até para aquelas crianças, feito de tudo PVC (isso mesmo!) e água para fazer o peso. No primeiro dia nenhuma criança parecia ter conseguido rodá-lo. Eu tentei e só consegui umas voltas. Frustrante, pois quando era menina costumava rodá-lo do pescoço aos tornozelos.

No dia seguinte, atendendo ao pedido dos meninos fui no Toy’s R Us comprar um de brinquedo, de plastico e bem mais leve e pequeno. Logo os meninos pegaram o jetinho, também como alguns dos amiguinhos da escolinha. Uns ficaram mesmo muito bons e rodavam o bambolê sem o maior esforço. E quem disse que bambolê é coisa de menina somente ?

Na verdade, sem eu saber a moda do bambolê já havia chegado e muitas das mães das crianças da escola já o praticavam como exercício para manter a forma em casa. O da escola certamente pertencia a professora. Entendi então porque muitas das crianças se tornaram exímias da noite para o dia, elas praticavam em casa com as mães !

Não resistí, afinal o corpo depois de 2 gestações (e depois de certa idade, cá entre nós) está longe do que era antes e as minhas idas esporádicas ao gym não estavam dando resultado nenhum, pelo menos na barriga.

A cinta comprei a parte para ver se amenizava a dor… não ajuda muito…

O primeiro dia foi só de dores pois por mais acolchoado que seja, o material do bambolê usado para malhação ainda é duro e pesado, bate nos ossos e depois de umas 10 rodadas tive de desistir com medo de hematomas. Foi só no terceiro dia que as dores diminuiram e consegui rodar por 5 minutos. Uma semana e estou chegando aos 10 min.

Outro dia percebí que mudando o centro do meu corpo um pouco mais para a esquerda eu conseguia um equilibrio maior e conseguia tambem rodar com mais estabilidade e por maior tempo. E isso meu chiroprata já tinha me falado, que minha postura estava errada pois eu concentrava meu peso na perna direita, causando sempre maior stresse nesse lado, tanto nas pernas quanto no quadril. Rodando o bambolê tento agora corrigir essa postura e percebi também que mudando a posição ajudou a relaxar os músculos superiores também.

Uma amiga roda por 40 min todos os dias, um dia chego lá. Ela deu luz ano passado e ficou tão grande ou até maior que eu mas hoje está de volta as proporções pré-gestação. Um sonho ainda pra mim ! Voltar a forma do pré é ilusão, sei que depois de certa idade tem coisa que não muda mas com certeza posso chegar a um ponto que me satisfaça e não precisa ser a de modelo, mas que me faça sentir bem mesmo com uma barriguinha a mais:-)

Publicado por: rivermom | janeiro 24, 2011

Nossa “salada de Babel”

Quem já veio aqui em casa e passou 5 minutos com a nossa familia de 4 geralmente nos faz a mesma pergunta: “Que lingua voces falam entre sí?”.

A confusão de idiomas já deixou gente, não acostumada a ouvir mais de uma lingua ao mesmo tempo, com tontura e dores de cabeça, como falou uma amiga tailandesa. Ela ficou perdida quando os meninos começaram uma briga por causa de um brinquedo, em “thai” e ai veio eu e o meu marido interferindo, cada um com uma lingua diferente mas direcionada aos meninos. Meu marido interferiu em cantonês (lingua falada em Hong Kong) e eu em português. E o pior, os meninos responderam em cada idioma, português e cantonês, dependendo para quem se dirigir, ao pai ou  a mãe, explicando o motivo da briga e argumentando quem estava com direito sobre o brinquedo e quem não. Ao mesmo tempo em que os dois meninos ainda disputavam entre si, em thai, a posse do brinquedo.

Logo depois dessa confusão toda nossa amiga tailandesa se retirou, disse que estava tonta e precisava tomar um remédio ! E ela não estava brincando,  olhos dela estava virados e nem sei como ela conseguiu dirigir o carro depois. Só depois de uns dias ela se desculpou, disse que não estava preparada pois ela sempre conversou em inglês com nossa familia, até com os meninos e de repente tudo virou e começou a rodar. Xii…

Essa salada de idiomas dá uma reviravolta mesmo quando conversamos os 4 juntos e isso é porque não temos um idioma em comum em que nós 4 nos comuniquemos. Nossos idiomas falados aqui em casa são contados de 2 em 2:

– eu com os meninos em português

– o pai com os meninos em cantonês

– os meninos entre sí em thai

– pai e mãe entre sí em inglês

Na verdade isso nunca nos incomodou. O fato de não termos uma lingua em comum não foi planejado, evoluiu naturalmente e não diminuiu tão pouco, nossas chances de comunicação.

Mesmo antes de o nosso primeiro filho nascer foi natural eu falar em português com o pequeno embrião que se formava dentro da minha barriga. E porque não ? Com o meu marido sempre nos falamos em inglês mas com o embrião eu podia falar em qualquer lingua e meu marido ouvia mas não se incomodava. Além do que, ele tambem falava com a minha barriga em cantonês. Ele falava com a minha barriga e não comigo. Se eu quisesse saber o que ele falou pra minha barriga eu perguntava ou ele mesmo falava sem que eu perguntar e assim foi. O fato é que comunicação é de no minimo de 2 em 2, 1 para falar e 1 para escutar só já basta.

O menino nasceu e continuamos falando agora com o bebe do mesmo jeito, cada um, português e cantonês. Ai vieram os avós de cada lado. Os avós paternos, pais do meu marido, falando em cantonês  com o recém-nascido. Já os meus pais vieram do Brasil mas como são japoneses acrescentaram mais um idioma a nossa salada, o japonês.

Um ano depois do primeiro filho veio o segundo filho e mais tarde os irmãos começaram a falar em thai entre si. Primeiro por conta da babá que era tailandesa e depois porque começaram a frequentar uma escolinha tailandesa.

Podiamos sim, ter mudado nessa época e passado a adotar o inglês como o idioma comum aqui em casa mas não víamos a necessidade. Tanto eu como meu marido crescemos em familias já bi-lingues e somos de certa forma, fluentes na lingua materna dos nossos pais, assim como na nossa propria.

Meu marido, filho de pais chinêses de Hong Kong nasceu e foi parcialmente educado nos EUA falando tanto o inglês quanto o cantonês em casa. Eu, nascida e educada no Brasil mas filha de pais japonêses, tambem cresci cercada pelas 2 linguas. Nos casamos e nosso idioma comum virou o inglês mas tinhamos já na bagagem nossas origens que queriamos passar para nossos filhos e conheciamos as vantagens de sermos bi-lingues.

Nessa mistura de idiomas deixamos o inglês de fora, pelo menos no que se refere as crianças, e várias pessoas nos perguntam o por quê. Mas sabe aquela piada que fazem de americano e vai mais ou menos assim,

“Se voce fala 4 linguas voce é poliglota,

se voce fala 3 linguas voce é trilingue,

se voce fala 2 linguas voce é bilingue,

se voce so fala 1 lingua voce é americano

O inglês é uma lingua universal e assim como há milhões de nativos, existem outros milhões de não nativos que falam inglês com os mais variados sotaques. Inglês de americano, de australiano, ou mesmo de indiano são diferentes no sotaque mas tudo é inglês. Mesmo o meu inglês com pronuncia tupininquim se passa por inglês (tsk, tsk).

O inglês, sendo assim tão difundido, vai acabar fazendo parte da vida das crianças um dia. Como elas convivem de certa forma com o inglês aqui em casa no dia-a-dia ouvindo o pai que é nativo falar (o meu não conta!), isso vai acabar treinando o ouvido das crianças para os sons do inglês quando eles precisarem. O que percebemos também entre muitos amigos e seus filhos que moram no estrangeiro é que uma vez que as crianças se apegam ao inglês eles dificilmente falarão a outra lingua. O inglês é mais prático, todos entendem e é o “cool”.

Outro argumento que tambem veio talvez de nossas experiências crescendo em familias bi-lingues, é de que ser exposto a sons dos mais variados possiveis desde cedo ajude no futuro já que as crianças terão um ouvido mais flexivel. Portanto, se temos a chance de expor as crianças já em casa e desde cedo a idiomas diferentes, porque não aproveitar essa chance unica que nossa familia proporciona ? E é de graça, como meu marido ponderou, depois de ler em jornais que o numero de familias nos EUA a procura de babás chinesas estava aumentando porque queriam que os filhos aprendessem a falar mandarim ! Ta certo, até eu queria uma babá chinesa para ensinar mandarim para mim e para minhas crianças (vide que o mandarim e o cantonês são diferentes !). Mas no nosso caso, incluir o mandarim não pareceu muito obvio e até porque ofuscaria o cantonês, sendo ambos chinêses.

E foi assim que nossa salada virou uma salada de “minority languages” uma vez que os idomas que usamos aqui em casa não são os mais populares: o cantonês perde para o mandarim e o português perde para o espanhol. Para completar a salada de “minority languages” vem o japonês que é falado no Japão somente e o tailandês que é restrito aos tailandeses…

Uma vez viajamos para o Japão, além de nós 4 os avós de cada lado, pais do meu marido e os meus pais. Eramos 8 sentados numa mesa de um restaurante, decidindo sobre o que pedir. Viramos e reviramos o menu e os 6 adultos conversando ao mesmo tempo, era uma feira, uma verdadeira “torre de babel”.

Meu marido com os pais em cantonês explicando o menu. Meu marido me perguntando, em inglês o que eu iria pedir para as crianças. Minha mãe me falando em português que ela poderia pedir peixe e dividir com o Niko, já que ele sempre gostou de peixe. Minha sogra me alertando, em inglês, que o Rafa que estava sentado do meu lado tinha deixado cair alguma coisa. E eu falando para o Rafa, em português, para ele ficar calmo que a sopa de macarrão dele já viria. E o Niko, gritando com o Rafa em tailandês pois este tinha deixado cair a colher dele no chão !

Da pra imaginar o caos ? Português, cantonês, tailandês, inglês e japonês, tudo rolando na mesa ao mesmo tempo ?

Depois que a garçonete pegou os pedidos, antes de ir embora ela virou mais uma vez e me perguntou:

“Qual a relação de voces, afinal?”

Aparentemente éramos como qualquer familia, os pais com as crianças e os avós maternos e  paternos em férias. Mas a pergunta da garçonete veio porque talvez ela ficou desnorteada, uma familia sim, mas todos falando linguas tão diferentes!

Hoje as crianças estão maiores e as necessidades de comunicação só aumentando. Imagina quando chegarem a adolecencia e os assuntos ficarem mais delicados ? Ai sim, talvez teremos de nos sentar os 4, ou pelo menos 3, com uma das crianças cara-a-cara com os pais e ter um idioma em comum mas até lá acho que iremos continuar com essa salada de idomas aqui em casa.

Hoje, se me perguntam se a falta de um idioma comum nos restringe de alguma coisa só posso falar que não. Acabamos por ter de falar mais e a ouvir mais. Se eu falo uma coisa importante para as crianças em português e quero ter certeza de que meu marido tambem entendeu a mensagem, repito em inglês pra ele. Se os meninos me falam uma coisa em português e acho que o meu marido deve saber tambem eu falo para as crianças repetirem para o pai (e eles vão repetir em cantonês). E só temos a ganhar com tudo isso pois eu acabei aprendendo, pelo menos de ouvido, o cantonês. Hoje entendo mais do que meus sogros falam com o meu marido em cantonês, ate coisas que eu preferiria não saber (tsk, tsk). Tenho certeza que meu marido tambem, hoje já entende muito mais o português do que há 5 anos atrás.

Se há uma desvantagem que reconheço, não é nem a falta de um idioma comum, ao contrário,  é a falta de uma “lingua só dos adultos” ou aquela lingua secreta que as crianças não entendam…

Publicado por: rivermom | janeiro 18, 2011

Ideia genial e higiênica

“Mãe, quero fazer xixi, vem rápido !”

Esse era o grito de desespero do Rafa toda vez que ia ao banheiro e via a tampa ou assento da privada baixada, eu tinha de ir levandar pra ele. O Niko não é tão fresquinho e sempre levantou por ele mesmo, pelo menos em casa onde ele tem mais confiança. Até prefiro assim porque banheiro publico ninguem confia mesmo. O problema do Rafa é que ele sempre segura a vontade até o final, ainda mais quando esta brincando e quando vai ao banheiro já é no desespero e no desespero já não pensa em mais nada.

E assim foi, por 2 anos, desde que ele largou a fralda, alguem tinha de sempre levantar a tampa da privada para o Rafa. Ele até aproveitava a carona do Niko de vez em quando e ia junto pois o Niko sempre fez por ele mesmo. Quando não, era sempre a gritaria por socorro. E ai de não ir logo alguem, pois ele ameaçava o pior, fazer no chão ! Quem não quer pensar no trabalho do depois vai logo acudir o moleque.

E ai, mesmo que um pouco tardio pois deveria ter achado esse negocio há 2 anos atras, vejam o que eu achei ?

Um segurador de tampa e assento que achei numa lojinha onde tudo é 60B$ (3 reais). Coisa de japones, DAISO !

Postei no Facebook e uma cunhada do meu marido nos EUA ja encomendou dezenas, não so pra ela mas pra todo mundo que ela tem certeza que vai querer.

O Rafa agora esta feliz pois não precisa gritar e esperar por socorro e mais que ele, eu, claro.

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